Você pode achar que #nãovaitercopa, mas compra produtos 100% Made in Brazil?

Daniel Fernandes

03 de junho de 2014 | 17h18

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira
Tenho pensado muito sobre como serão as coisas daqui cinco anos.
Domingo, sem querer, me peguei assistindo, na TV Cultura, o finalzinho de um capítulo da série “Confissões de Adolescente”, do ano de 1994. A série retratava os conflitos da adolescência daquela época, abordando temas como sexo e gravidez, incrivelmente ainda tabus.
Naquela época, nossa geração não tinha acesso às informações de forma tão rápida e na ponta dos dedos como hoje. O Google tinha capa dura vermelha e, se não me falha a memória, 22 fascículos. E ainda não era todo mundo que tinha acesso a ela. Foi na Barsa que aprendi a fazer pólvora. Por pura sorte, não nasci na Era da internet e deep web. Digo isto, pois, talvez, já teria perdido meus braços em alguma explosão mais sofisticada do que a causada pela simples fórmula da enxofre, salitre e carvão.
Vinte anos passados, vejo o quanto as coisas estão conectadas e a reverberação de uma atitude alcança muito mais amplitude, rapidez, gerando consequências instantâneas. Um produto lançado hoje pode ser comprado instantaneamente em qualquer lugar do mundo. É a tal globalização desembestando mundo afora.
Mas como podemos manter uma economia local nesse mundo sem fronteiras? Até e-commerce na China agora é realizado em português. E o mais assustador: você pode imprimir um boleto de um banco local e pagar como qualquer conta, sem precisar mais de cartão de crédito.
A meu ver, precisamos resgatar a consciência da importância de consumir produtos fabricados em nosso país. Na Irlanda, por exemplo, existe um cultura de consumo por parte da imensa maioria da população que consiste em fazer escolhas de consumo de produtos “Déanta in Éirinn”, ou seja, fabricados por lá.
E isso é levado muito a sério, acentuando-se nos últimos tempos entre os irlandeses. E, daqui da minha cadeira, digo, sem medo algum, que essa será a postura da maioria dos países desenvolvidos no mundo nos próximos anos. Preservar a economia local. Nós pequenos empresários temos um papel fundamental nesta empreitada, pois conseguimos nos aproximar mais facilmente dos mercados menores, onde nossa forma de comunicar pode ser mais efetiva e direta, já que podemos atuar de forma mais segmentada.
Sei que o momento agora é de reivindicações e somos todos #contrabrasil #nãovaitercopa, mas precisamos, em algum momento, nos preocupar com esse aspecto cruel da economia globalizada.
Em nossa fábrica, iniciamos um processo, a médio prazo, de utilização exclusiva de fornecedores e parceiros regionais –  100% brasileiros. Rastrearemos e incorporaremos ao nosso processo produtivo também somente matérias-primas brasileiras. Romantismo? Talvez façamos parte de um grupo de meia dúzia de formiguinhas lutando contra o monstro de marshmallow. Mas podemos sim, com persistência, inteligência e solidariedade, construir um imenso formigueiro.
Curtiu? Então multiplique. Repasse. Trafique. Contrabandeie esse conteúdo. Sem medo de ser feliz. E até a próxima quarta-feira.

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