Você evolui mudando algo em você e não comprando algo para si

Daniel Fernandes

27 de novembro de 2015 | 07h19

Black Friday chegou!!! Era 25 de novembro de 2011 e os americanos acordavam cedo para aproveitar os descontos da última grande liquidação antes do Natal. Enquanto tomavam o café da manhã, se deparavam com este anúncio gigante, de página dupla, do The New York Times, que pedia, em letras enormes, para não comprar a jaqueta mostrada.

REDUZA! Pedia o anúncio. “Nós fazemos itens que duram muito tempo. Você não precisa comprar o que não precisa”. REPARE! Continuava sugerindo. “Nós ajudamos você a reparar seu produto Patagonia se você se comprometer a consertar o que está danificado.” REUSE! “Nós ajudamos a encontrar um lar para o produto Patagonia que não precisa mais. Você vende ou faz uma doação.” RECICLE! “Nós recolhemos seu produto da Patagonia que está inutilizável se você se compremeter a manter suas coisas longe do aterro ou incinerador.” E o anúncio é finalizado com um último pedido: REIMAGINE! “Juntos nos reimaginamos um mundo em que tomamos apenas aquilo que a natureza pode repor”.
Mas a maioria dos norte-americanos se perguntava o que era aquela tal de ONG ambiental chamada Patagonia? Mas a Patagonia é uma empresa que produz roupas e equipamentos esportivos que fatura mais de US$ 600 milhões e considerada uma das mais sustentáveis e mais admiradas dos Estados Unidos. Também há anos é eleita uma das melhores empresas para se trabalhar e uma das melhores empresas para mães. Fanático por alpinismo (e depois surfe), Yvon Chouinard começou a fabricar seus próprios produtos e depois passou a vendê-los para os amigos, fundando a Patagônia em 1965. Apaixonado pela vida ao ar livre, quase quebrou sua empresa em 1972 e 1980, pois eliminou produtos que estavam entre os mais vendidos da empresa porque chegou à conclusão de que prejudicavam a natureza.
A partir de 2002 passou a doar 1% das vendas brutas da Patagonia para a fundação One Percent for the Planet e posteriormente, conseguiu convencer mais de 1.400 empresas ao redor do mundo a fazer o mesmo.
Na Black Friday de 2013, a Patagonia que é avessa às propagandas, retornou com um novo anúncio, agora convidando seus clientes para uma festa para celebrar o que já conquistaram e usando produtos bem antigos, desgastados e recuperados. Cada peça não era para ser vista como velha, mas como algo que tinha participado da história de cada pessoa.

Mas se perguntar à Chouinard se a empresa dele faz tudo isso para ser sustentável, ele responde que “se você esperar que o cliente vá pedir para sua empresa ser mais sustentável, espere sentado… Só 10% das pessoas compram pelas nossas atitudes. Os outros 90% compram porque gostam da cor, do estilo.”
Assim como um número crescente de pessoas se tornam cada vez mais responsáveis,  as empresas deveriam agir da mesma forma: “Todas as empresas devem ser responsáveis não apenas por aquilo que vai no produto, mas deveriam agir quando descobrem que fazem algo errado”. – diz.
“Você evolui mudando algo em você e não comprando algo para si”. – resume a atuação da sua empresa nas Black Fridays.
Marcelo Nakagawa é professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP