Visite o nosso estoque

Daniel Fernandes

13 de março de 2013 | 06h53

Juliana fala sobre um estoque que mais parecia Fla-Flu


Sempre tive orgulho da nossa cozinha. Apesar de fazermos ali 5 mil brigadeiros por dia e lambuzarmos as paredes, o teto e a alma de chocolate, temos uma disciplina espartana para manter tudo imaculadamente limpo. Sabemos que qualquer respingo fora da panela não passaria despercebido aos olhos de quem acompanha, atento, a finalização de seus brigadeiros através do vidro que cerca a cozinha.
Aprendemos, a custa de treinamentos quase militares de boas práticas de higiene (e também de um TOC que procuro usar construtivamente) a manter tudo muito limpo e organizado.  Tinha realmente a ilusão de que tudo estava em ordem, até o dia que nosso consultor (que suspirava de alegria ao passar pela cozinha) decidiu visitar nosso estoque.
Quando ele conseguiu finalmente achar uma saída no labirinto de caixas e sacolas e chegar até a minha sala, ele me disse, ofegante: “Juliana, a partir de hoje, considere que seu estoque é a dispensa da sua cozinha. Você deixaria alguém visitá-lo?” Subi até o estoque remoendo a pergunta.
Dizer que estava  tudo um verdadeiro caos não seria justo com o Marcos, nosso dedicado estoquista. As embalagens e matérias primas até que tentavam ocupar os seus devidos lugares, o problema é que tinha coisa demais e espaço de menos. Numa soma de padaria, contei uma tonelada de chocolate, outra de leite condensado e uma centena de caixas de confeitos, o que traduzindo em brigadeiro daria para alimentar todo o Maracanã numa final com Fla-Flu.
Some-se aí centenas de embalagens de todos os modelos e tamanhos e imagine tudo isso ocupando sofrivelmente um terço de um imóvel em São Paulo, no bairro de Pinheiros, super inflacionado pela especulação imobiliária. Prejuízo na certa.
1) Dinheiro parado. O capital que poderia estar no caixa, e eventualmente financiar a reforma que estamos planejando na loja, está preso no estoque.
2) A quebra é grande. Como não há espaço suficiente para todas as coisas, muitas embalagens são danificadas e têm que ser descartadas.
3) Números pouco confiáveis. Ninguém (ainda que seja virginiano) consegue gerenciar com eficiência um estoque com tantos itens.
4) Melhor  parar no terceiro para eu não ter um AVC antes de escrever o ultimo parágrafo do texto.
Nossa lição de casa tem sido tentar estender à dispensa, digo, ao estoque, a mesma organização e eficiência que a gente acha que tem na cozinha. E isso, em um primeiro momento, implica em reduzir drasticamente as quantidades de coisas que armazenamos para depois colocar cada item no seu lugar e gerenciar para que ele não fique esquecido ali. Feito isso, já prometi: vou mandar fazer uma placa bem bonita para colocar na cozinha, com o convite: “visite o nosso estoque”.