Vendo, vendo e não vejo a cor do dinheiro. O que estou fazendo de errado?

Para o negócio se tornar rentável, algumas ferramentas e metodologias precisam entrar em campo

Estadão

09 de julho de 2019 | 15h16

Samuel Poloni, consultor em finanças do Sebrae-SP

 

Talvez esta seja a sensação de alguns empreendedores: a empresa vende, mas o empresário não consegue ver a cor do dinheiro, ou pior, não sabe se está tendo lucro ou prejuízo. O que está errado, então? Onde está o problema? Qual a solução?

Para resolver este “problema” ou “sensação” algumas ferramentas e controles são fundamentais na gestão financeira da empresa, sendo ela comércio, indústria ou prestação de serviços – principalmente nos pequenos negócios, onde os recursos são limitados e o empresário, na maioria das vezes, faz quase tudo sozinho.

O “controle de caixa” registra todas as entradas e saídas de recursos, ou seja, todos os recebimentos em dinheiro, cheque, cartão de crédito/débito, crediário, versus os pagamentos, fornecedores, impostos, aluguel, água, energia elétrica, comissões, salários, etc. Controle fundamental para saber de onde vem o dinheiro da empresa e para onde ele vai, onde está sendo gasto ou aplicado.

Fazer a projeção desses recebimentos e pagamentos para as próximas semanas ou meses proporcionará ao empresário visualizar com antecedência possíveis faltas ou sobras de dinheiro, dando condições para buscar soluções e/ou alternativas para resolver esses problemas, como por exemplo, antecipar recebíveis, negociar pagamentos ou promover novas vendas para a entrada de dinheiro. Essa ferramenta se chama “fluxo de caixa” e serve para verificar se a empresa terá dinheiro para pagar seus compromissos.

Outra informação vital para a empresa é identificar se está tendo lucro ou prejuízo, resultado que não visualizará no caixa da empresa nem no seu fluxo de caixa. Será preciso outra ferramenta: o Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE), como o próprio nome diz, demonstra esse resultado. O DRE também servirá para visualização e estabelecimento de indicadores que auxiliarão na gestão do negócio, tais como, lucratividade, custos e despesas, fixas e variáveis, além da margem de contribuição e do ponto de equilíbrio, vitais para planejar, controlar e medir seu desempenho.

Formar o “preço de venda” corretamente é outro fator determinante para a viabilidade da empresa, pois o preço ideal é aquele que cobre todos os custos e despesas, gera lucro para o negócio e ainda é compatível com o mercado, ou seja, é competitivo em relação a concorrência. O preço de venda errado faz com que a empresa tenha venda, mas essas vendas não serão suficientes para cobrir os custos e gerar lucro.

Todas essas ferramentas, controles e metodologias são pré-requisitos para o boa gestão financeira, contribuindo para tornar o negócio viável, rentável e perene.

 

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