Vale a pena visitar feiras no exterior?

Daniel Fernandes

05 de fevereiro de 2018 | 09h41


Em janeiro, fui a Nova York para participar da NRF, a maior e mais importante feira de varejo do mundo, e me surpreendi com a quantidade de brasileiros que encontrei por lá. Ouvi que éramos cerca de 2 mil brasileiros, divididos em vários grupos, talvez a maior delegação do País na história da feira.
Muitos foram de forma independente, sozinhos ou com alguns amigos. Outros estavam em grupos organizados por empresas e associações. Independentemente da escolha de cada um, diante de tantos brasileiros por lá, comecei a me questionar sobre a ida a eventos como este. Antes de decidir viajar, estava com uma pergunta na minha cabeça: vale mesmo a pena ir a esses eventos fora do País? Que lição se tira desse tipo de experiência, seja na NRF, na IFA (maior feira de franquias do mundo) ou na Multi Unit Franchising Conference (focada em multifranqueados)?
A primeira conclusão a que cheguei é que as empresas e associações que organizam os grupos de viagem estão se aperfeiçoando para melhor atender os brasileiros que querem ir aos eventos no exterior.
 

Nessa última ida aos Estados Unidos, para a NRF, eu mesmo tive o privilégio de participar de um grupo, organizado pela MCF, do Carlos Ferreirinha, o maior especialista em mercado de luxo do Brasil. Chegamos a Nova York alguns dias antes para o pré-NRF e visitamos o escritório de empresas como Chanel, Belvedere e Hugo Boss. Foi uma oportunidade única de ouvir diretamente dos executivos dessas companhias detalhes sobre a estratégia e o modelo de negócios e, claro, branding na veia.
Durante a NRF, estive com o grupo Amigos do Varejo e Shoppings, capitaneado por Boris Timoner, e também com o Pompeu Eduardo Belusci, amigo, executivo da Di Pollini e líder do Acelera Varejo. Pudemos reunir alguns dos mais importantes empresários e executivos do varejo e de franquias em um jantar no descolado Zuma, em Nova York, com muito networking entre os participantes.
Além disso, visitamos lojas de marcas como Adidas, American Eagle,Tesla e Samsung 837, entre outras. A primeira marca montou uma lanchonete dentro da loja com alimentos funcionais, relacionados com a prática esportiva, além de uma arquibancada de frente para a 5ª Avenida, para que qualquer um possa assistir a jogos e eventos esportivos. Já a segunda empresa instalou uma lavanderia, que pode ser usada por qualquer estudante sem custo algum.
Muito se falou do fim das lojas físicas, mas agora a história mudou. Vejo que, cada vez mais, as lojas são uma experiência para estreitar a relação do consumidor com a marca, para criar laços com o cliente, o que vai além da simples compra de produtos. Pouco importa se o cliente vai comprar um tênis no mesmo dia que consumiu o suco dentro da loja da Adidas. O que importa é que a marca fique presente na sua memória de um jeito marcante e positivo. Assim, em uma futura compra de material esportivo, ele provavelmente recorrerá à marca, pelo canal que ele quiser, on line, off, ou seja ON-LIFE.

Voltando às expedições para os eventos no exterior, viajar em grupo traz vantagens, porque dá a oportunidade de ir além da feira. É o que fizemos, por exemplo, com o grupo que levamos no ano passado para Las Vegas, para participar da Multi Unit Franchising Conference, o maior evento de multifranqueados do mundo. Tivemos encontros exclusivos com palestrantes do evento. Aliás, estes eventos acontecem todo ano. Além de ter acesso a palestrantes e conhecer empresas mais de perto, os grupos também fomentam o networking nos jantares, eventos e encontros pelos corredores. Só que o grande pulo do gato de tudo isso é saber o que fazer com tanta informação. Importante ter em mente que talvez você não irá implementar amanhã na sua empresa o que acabou de ver (ou melhor, experimentar), mas na volta é preciso refletir sobre o que faz sentido para o seu negócio. Conhecer as tendências e algumas das tecnologias mais atuais é apenas o primeiro passo. Depois é hora de rever seus conceitos e objetivos e montar um plano de ação, ou no mínimo um plano de inspiração.
Como pincelada do que a viagem a Nova York trouxe, deixo alguns temas para a sua reflexão:
>  omni-channel é realidade, o que importa é a relação com a marca – e não o meio/forma em que a compra será feita
>  crescimento da importância da loja física para a experiência com a marca
>  mercado chinês também traz inovações
>  ensinamento do mercado de luxo: valorize o produto ou serviço que você vende
>  storytelling para contar a história da marca e, principalmente, seu legado para o mundo
Denis Santini é CEO da MD | Make a Difference, primeiro grupo de comunicação especializado em varejo, franquias e redes e lider do AV Franquia.
 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: