Vai empreender? Tenha medo (avó Arlette está sendo operada)

Daniel Fernandes

09 de abril de 2014 | 06h45

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira
Minha avó Arlette está sendo operada hoje, terça-feira (dia 8), enquanto escrevo o texto que publico às quartas aqui no blog. Ela é a última pessoa da turma dos avós que está viva na minha família, e, por questões óbvias, é nesses momentos que, com a vida em risco, damos o devido valor a ela.
Talvez o medo seja uma das grandes forças motrizes a nos ajudar no processo de evolução em sociedade. Medo de não ter comida para o dia seguinte. Medo da não sobrevivência ao frio. Medo do primeiro beijo daquela menina que pensamos que amamos como jamais amaremos alguém. Medo de perder o emprego. Medo de não emplacar o projeto. Medo da primeira venda. Medo de não fechar o saldo positivo.
Minha dica é: tenha medo. E use essa adrenalina do medo como uma energia para sair da sua zona de conforto. Mas não use de forma inconsciente, como acontece normalmente, para se esconder. Use para fortalecer sua relação afetiva, mesmo que seja com a sua própria empresa. E, aproveitando essa adrenalina do medo, gostaria de encontrar cara-a-cara o guru que um dia disse que empreendedor não corre riscos.
Impossível.
Talvez na Finlândia ou em qualquer outro país um pouco mais desenvolvido que o nosso. É possível. Mas, por estas bandas abaixo da linha do Equador, corremos risco constantemente e, se você pensa em empreender, acostume-se a isso. Eleições estão próximas e o cenário começa, em via de regra, sempre a ficar tenso.
Popularidade da Dilma caindo e crises no mercado externo. Medo! Bem-vindo à montanha russa chamada Brasil. Sinta medo porque só assim você vai correr riscos. E, nos riscos, sentir aquela vontade louca de se superar.
Para mim, pensar em perder minha avó vem para muitas coisa. Uma delas é resgatar aquele tempo livre e essencial para ficar com ela. Porque todos nós temos o nosso tempo.
Curtiu? Então multiplique. Repasse. Trafique. Contrabandeie esse conteúdo. Sem medo de ser feliz. E até a próxima quarta.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: