Vai empreender na internet: faça um técnico sócio e esqueça o seu primo

Daniel Fernandes

16 de abril de 2013 | 06h47

Renato fala sobre como lidar com os programadores

É bem comum nos encontros de empreendedorismo que eu frequento encontrar pessoas que querem empreender na internet mas não tem conhecimento de computação.
Uma das coisas que mais me perguntam é se eu conheço alguém ou alguma empresa que possa desenvolver o site para eles. A minha resposta sempre é a mesma: contratar uma empresa para fazer o seu site ou arrumar um amigo que tope fazer no fim de semana, quase sempre, é mal negócio.
Um negócio na internet, por mais simples que seja, exige uma pessoa técnica constantemente trabalhando com você. Mesmo o mais simples dos comércios online tem as suas peculiaridades e uma plataforma pronta pode até te ajudar a começar, mas ela não vai dar ‘aquela’ funcionalidade que você acredita que pode ser o seu diferencial ou te permitir elaborar um layout que fala realmente com seu público.
Eu já disse isso em outros posts: empreender na internet é testar sempre, e para testar com agilidade, você precisa ter uma pessoa técnica no seu time. O que eu recomendo é achar alguém que seja bem competente e faça dessa pessoa o seu sócio.
Caso contrário, uma hora esse profissional pode te deixar para ir para outro emprego e em muitas startups ele é o único recurso que sabe como programar a página ou subir aquele produto novo que você está negociando a tempos.
Encontrar este profissional é muito difícil, o mercado de programadores é extremamente concorrido, mas eu acredito que se o seu produto ou serviço for realmente inovador e desafiador não faltarão candidatos. Cabe a você convencê-los de que vale a pena trabalhar com você.
Gerenciar esses profissionais também é outro ponto. Eu ouço amigos (não técnicos) dizendo: “Ele me falou que isto demora um mês para fazer, e usou um monte de argumentos técnicos. Eu tenho que acreditar”. Esta falta de comunicação é um problema.
Construir um sistema é realmente algo complexo. A mesma funcionalidade pode demorar um dia ou um mês dependo da tecnologia, da plataforma, da escala que se quer dar, da complexidade dos dados, etc. O que precisa ser combinado é qual é o objetivo. Se for simplesmente testar um novo conceito, não faz sentido pensar num super projeto escalável e otimizando os recursos de memória com alta perfomance guardado em banco de dados de última geração, pode-se fazer de um jeito mais simples com a consciência de que se a funcionalidade for evoluir, provavelmente terá de ser refeito.
Muitos engenheiros de software, por natureza, gostam do desafio e querem usar a tecnologia mais nova que existe. Eles muitas vezes se convencem e acabam convencendo os empreendedores que aquela tecnologia é a mais adequada para se resolver o problema. Tome cuidado…
Geralmente a tecnologia mais adequada para resolver o problema é aquela que você já usou umas cem vezes e não vai ter surpresas na hora de por a mão na massa. Achar um sócio ou um funcionário técnico para a sua equipe é bem difícil, gerenciar ele é mais difícil ainda, mas é melhor do que ficar na mão daquele primo que manja tudo de programação…

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