Uma porta de entrada para o varejo online

Daniel Fernandes

09 de novembro de 2016 | 12h38

Os sites de e-commerce de maior audiência do mundo são os marketplaces – ou shoppings virtuais -, que unem milhões de vendedores a milhões de consumidores no mundo online. Esse modelo de negócio, muito inspirado nos shopping centers físicos, corresponde a 90% do faturamento do varejo online na China e a 33% nos Estados Unidos, segundo dados da empresa de tecnologia Channel Advisor. No Brasil, estima-se que essa participação seja de mais de 20% dentro do que é faturado no setor.
Grandes marcas varejistas no Brasil e no mundo transformaram suas lojas online também em marketplaces nos últimos anos. Em muitos casos, não são markeplaces puros, uma vez que essas marcas varejistas continuam vendendo seus próprios produtos, concorrendo com os vendedores que aderem a seus espaços na web. Mas, independente disso, o modelo é um excelente negócio para grandes, médios, pequenos varejos e também para quem está pensando em começar a vender online.

Tomando como exemplo o Mercado Livre, o marketplace conta com um sistema de reputação – comprador e vendedor atribuem notas um para o outro, de acordo com a qualidade do negócio realizado. Não importa o tamanho da loja ou a relevância da marca, se a qualificação dentro do marketplace não for positiva, as vendas não crescerão. Da mesma forma, se um micro varejista estiver bem qualificado por seus serviços e produtos oferecidos dentro da plataforma, suas chances de venda podem ser ainda maiores que a de uma grande loja. O que vale é a reputação, a qualidade dos produtos e serviços e o melhor preço.
Esse modelo faz do marketplace um dos ambientes mais democráticos da internet. Um empreendedor pode começar a anunciar seus produtos com um investimento inicial muito baixo – relacionado à posição e visibilidade de seus anúncios no resultado de busca do shopping virtual. E pode aumentar aos poucos o investimento em visibilidade, de acordo com a performance das suas vendas. Com uma audiência de consumidores garantida e o uso de ferramentas que profissionalizam seu negócio, o empreendedor passa a ter capacidade de escala. Com uma vantagem frente aos shopping centers do mundo físico: sem pagar aluguel. O que ele paga é uma comissão pelo sucesso de suas vendas, com regras iguais para varejistas de todos os tamanhos.
Outro motivo de sucesso do modelo de marketplace é a força geradora de audiência para quem quer vender e de boas ofertas para quem quer comprar. O administrador do shopping virtual cuida da visibilidade, do marketing das ofertas e do investimento em tecnologia, com sistemas de pagamento, segurança e solução logística, tudo isso acessível via desktop ou dispositivos móveis. Do outro lado, os vendedores se dedicam ao portfólio de produtos, à gestão de seu negócio e ao atendimento ao cliente. E os consumidores passeiam pelas ofertas, pesquisam e se comunicam com os vendedores. O consumidor pode tirar todas as suas dúvidas sobre os produtos junto aos vendedores antes da decisão da compra, utilizando campos de perguntas e respostas.
Por essas vantagens – e também pelo fato de o Brasil ser um país com enorme potencial empreendedor -, os shoppings virtuais são uma opção viável para milhões de micros e PMEs – e também para que grandes lojas e marcas exponham seus produtos a uma demanda de consumidores que não para de crescer. Afinal, metade da população brasileira ainda não usa a internet – embora frequente shopping centers físicos -, o que mostra que o comércio eletrônico ainda vai crescer muito e, da mesma forma, quem empreender com ele.
Stelleo Tolda é COO (Chief Operating Officer) e co-fundador do Mercado Livre.
 
 

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