Uma nova geração de profissionais com o propósito de mudar o Brasil

Daniel Fernandes

24 de janeiro de 2018 | 08h00


Há uma nova geração de profissionais brasileiros em busca de uma carreira que possibilite ter sucesso financeiro e atuar em uma atividade relevante para a sociedade. De acordo com um estudo conduzido pela Stanford University, na Graduate School of Business, 90% dos alunos de MBA da instituição estão dispostos a trocar benefícios financeiros pela oportunidade de trabalhar em uma empresa que demonstre um forte compromisso com o bem social. Estamos vivendo o que a consultoria global Great Place to Work – gestora da pesquisa Melhores Empresas para Trabalhar – classifica como “A era do significado”.
Na prática, parte dessa demanda tem sido atendida pelo campo dos negócios de impacto social – empresas que por meio de uma atividade principal oferecem soluções para problemas sociais. Seja empreendendo, trabalhando para o negócio ou para organizações de apoio (como aceleradoras, incubadoras e fundos de investimento, por exemplo), ou até levando o conceito para dentro das grandes empresas – os chamados intraempreendedores –, muitos brasileiros têm conseguido unir o que muitas vezes parece difícil conciliar. Estão ganhando dinheiro e mudando o mundo!
Se há mais de uma década esse foi o caminho trilhado por jovens recém-formados em universidades – que decidiram empreender ou atuar nessas empresas – hoje, muitos dos empreendedores e funcionários de negócios de impacto social são profissionais experientes do mercado financeiro, por exemplo. Ou seja, pessoas com mais de 40 anos e com carreiras sólidas construídas em um mercado corporativo mais tradicional resolveram mudar suas rotas em busca de aplicar suas habilidades para gerar impacto positivo.
Na Artemisia, não nos faltam exemplos dessa tendência. Claudio Sassaki, empreendedor da Geekie, trocou a carreira de executivo do Credit Suisse impulsionado por um incômodo causado por uma atuação profissional que não atendia ao seu propósito maior: transformar a educação no país, tornando-a mais justa, eficiente e significativa. Vitor Moura, fundador do VidaClass, criou o negócio de impacto social focado em saúde depois de vivenciar cinco anos como CFO do Hospital Israelita Albert Einstein – referência em saúde de qualidade do país – e ter sido membro do Conselho Gestor do Hospital Municipal do M’Boi Mirim. Ou seja, ter vivenciado duas realidades de acesso à saúde.
Por quase 20 anos, João Lencioni – empreendedor da fintech Jeitto – foi gestor de tecnologia, atuando como CIO em negócios da GE na América Latina, Estados Unidos e Alemanha. A carreira ganhou um outro significado ao empreender um negócio alinhado ao propósito de criar soluções de microcrédito com potencial de impactar um grande número de pessoas na base da pirâmide.
Mas, um ponto de atenção é que não existem heróis solitários. Existem pessoas em comunhão de um propósito maior do que elas mesmas. Essas pessoas têm trabalhado para transformar a realidade do país. É nesse ponto que entra a capacidade do empreendedor de inspirar para formar e gerir equipes coesas; profissionais talentosos que partilham do propósito de mudar a forma de fazer negócios. Um tema que, certamente, vamos abordar em outro artigo.
Maure Pessanha, co-empreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e disseminação de negócios de impacto social no Brasil.
 

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