Uma empresa sem chefes

Daniel Fernandes

25 de março de 2015 | 08h38

Uma empresa sem hierarquia alguma, onde não há chefes e onde os colaboradores precisam ter a consciência de trabalhar em busca de ações que levem aos melhores resultados, mesmo sem ter ninguém necessariamente os orientando sobre as tarefas a serem cumpridas. Para quem não está acostumado com culturas mais abertas, pode parecer loucura ou até mesmo utopia uma empresa funcionar dessa maneira. Mas isso existe. A Valve Corporation é uma empresa de games norte-americana, fundada em 1996. Entre seus produtos, destacam-se jogos que viraram referência para muitos jovens, como os conhecidos Half-Life e Counter Strike.

Esta é uma cultura totalmente diferente do que o mercado está habituado e há alguns entraves e choques por conta disso. Por exemplo: a Valve se orgulha de ter um ritmo próprio. Isso significa que nem sempre cumprem prazos, pois o objetivo é criar produtos que levem a melhor experiência possível aos clientes. E se for preciso gastar mais tempo para produzir um jogo que saia perfeito, eles farão, sem se preocupar com os prazos anteriormente estabelecidos. Se por um lado isso significa respeito ao cliente final e busca pelo melhor produto, por outro pode criar uma imagem negativa com o mercado ao não entregar no prazo prometido.
Independentemente disso, os funcionários têm orgulho de fazer as coisas no tempo próprio, o que chamam de ‘Valve Time’.
Na Valve, o mais importante é criar um ambiente em que as pessoas se sintam livres para fazerem coisas novas e tomarem decisões. O medo de errar não pode ser um entrave para criar produtos inovadores. Por isso, a cultura do erro é tão valorizada dentro da corporação. Eles enxergam o erro como uma ferramenta para aprender e estar mais perto do acerto, acreditam que o erro é fundamental para se viver dentro do ambiente que criaram e consideram as falhas uma grande oportunidade, até mesmo os erros mais graves são vistos como chance de crescimento.
Existem várias lições que podemos tirar desse caso e quero ressaltar duas: coragem e recrutamento. Quando digo coragem, é no sentido de fazer algo totalmente fora do comum, que muitos pensam ser errado. Eles não tiveram medo de criar uma estrutura diferente das demais empresas – acreditaram nisso e fizeram acontecer.
Já o recrutamento é o coração de qualquer empresa: a Valve só contrata quando sente que a pessoa está alinhada com essa cultura. E isso deve ser uma preocupação de todos os empreendimentos, dos mais tradicionais até as companhias mais inovadoras.
Todos os colaboradores precisam estar de acordo com a cultura da corporação, seja ela qual for. Pois só assim é possível manter uma equipe produtiva e que consiga estabelecer um ritmo de crescimento e entrega para o mercado.

Tudo o que sabemos sobre:

Bel PesceBlog do EmpreendedorEstadão PME

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.