Uma boa ideia surge mesmo do improviso

Daniel Fernandes

05 de junho de 2013 | 07h45

Um potinho de papinha pode se transformar em produto

Nossas embalagens não são exatamente convencionais e geralmente nos perguntam de onde surgem as ideias. Podia empertigar a resposta, falando de livros, viagens e bonitezas que inspiram um olhar. Mas tendo a achar que uma boa ideia surge mesmo é do improviso.
Nossa primeira embalagem foi uma marmita de metal, daquelas que as pessoas usam para levar comida. Antes de abrir a loja, costumava presentear os amigos no aniversário com uma bandeja de brigadeiros. Colecionava uma porção delas. Veio então a festa de um amigo e eu só tinha bandejas com estampas femininas. Descobri isso tarde demais para sair e comprar uma versão mais neutra.
O jeito foi improvisar.
Revirei os armários da cozinha e achei uma marmita onde guardava temperos. Esvaziei e coloquei ali os brigadeiros. Amarrei um pano de prato rendado para a fazer as vezes de papel de presente e lá fui eu para a festinha, sem desconfiar que três anos depois a tal marmita se tornaria a embalagem mais vendida da Maria Brigadeiro.
E quer saber mais? Os temperos indianos que estavam na marmita impregnaram nos brigadeiros dando origem ao masala, um dos nossos 40 sabores. O nosso potinho de brigadeiro de colher, que inspirou tantas versões por aí, também foi obra de um feliz  (e sonado) improviso.
Uma cliente me encomendou um brigadeiro diferente para dar de lembrança no nascimento do seu filho. Passei a noite em claro, folheando a Larousse do bebê (emprestada da vizinha) e rabiscando cegonhas gigantes comedoras de brigadeiro que lá pelas tantas mais pareciam o satangôs (o monstro do Jaspion).
Desolada e cambaleando de sono, abri um pote de papinha de maçã e fui para o computador escrever um e-mail declinando oficialmente da missão. Segundos antes de apertar o botão “enviar” olhei para o potinho vazio sobre a mesa e veio a ideia de fazer uma versão com brigadeiro, colocar uma colherinha e personalizar com o nome do bebê.
Essa tem sido, desde então, a lembrancinha mais pedida em nascimentos. A demanda ficou tão grande que hoje temos uma equipe exclusivamente  dedicada aos potes. Com a panelinha de brigadeiro, da qual falei no último post, não foi diferente. Recebi uma amostra de panela de uma cliente, que queria fazer  algo parecido para um chá de panela. Fiz, entreguei e deixei a amostra da panela em cima da minha mesa no ateliê, com clips. Não tinha uma pessoa que não suspirasse de emoção quando via a tal panela. Atendendo a pedidos, acabamos colocando em linha e não tiramos nunca mais.

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