Um por um

Daniel Fernandes

13 de outubro de 2015 | 12h13


A cada produto comprado, outro é doado. Já pensou fazer isso em sua empresa? E mais: fazer doações sem ser uma ONG, e sim uma empresa lucrativa. Essa é a filosofia da TOMS, marca americana fundada em 2006 por Blake Mycoskie e que já doou mais de 45 milhões de pares de sapatos para crianças carentes ao redor do mundo.

Com a filosofia “one for one”, a empresa nasceu após uma viagem de seu fundador para a Argentina. Na ocasião, ele percebeu que muitas crianças andavam descalças, dentre outras necessidades, não tinham sapatos. Com isso, elas ficavam mais sujeitas a infecções e doenças e a falta de sapatos, inclusive, as impedia de frequentar escolas. Um sapato, ou melhor, a falta dele, é um detalhe capaz de causar grande impacto social negativo na vida dessas pessoas. E foi a partir dessas observações, que Mycoskie criou a TOMS, que inicialmente comercializava apenas sapatos. Ao mesmo tempo em que queria ter um braço social, ele não queria fundar um ONG, e sim criar uma empresa consistente que não dependesse de doações e que pudesse crescer de forma sustentável, vendendo produtos e ajudando as pessoas. É este o conceito da empresa.
Com o tempo, a TOMS expandiu seus negócios e lançou outros produtos, como óculos, bolsas e até mesmo cafés, seguindo a mesma filosofia do “one for one”. A cada óculos vendido, a empresa oferece uma consulta de oftalmologista para alguém que precisa passar pelo médico e não tem condições; a cada bolsa vendida, uma mulher grávida tem acompanhamento médico durante a gestação; a cada café vendido, água limpa é doada para pessoas que não têm acesso a água potável.
Com estas ações, a TOMS se firmou como uma empresa que faz doações paralelamente ao seu negócio principal – e, de certa forma, isso se tornou a característica da empresa. Por meio das doações, a TOMS criou a sua história e agora, cada vez mais, fortalece sua marca e atrai clientes que se identificam com a causa da organização.
Gosto da cultura deles porque é uma história de uma empresa que visa lucros, que faz produtos para vender e que ainda assim trouxe uma missão social como parte intrínseca da instituição. Mycoskie conseguiu criar uma empresa rentável e que ao mesmo tempo tem o propósito de contribuir com a questão social que o tocou e que foi o pontapé inicial para ele criar a empresa.
* Bel Pesce é fundadora da escola FazINOVA e autora dos livros “A Menina do Vale” e “Procuram-se Super-Heróis”. Apaixonada por culturas empresariais, Bel Pesce explora diferentes cases em sua coluna no Estadão PME.

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