Um conselho de pai para filho…a história de sucesso do Google e de tantas outras empresas de sucesso

Daniel Fernandes

01 de agosto de 2014 | 07h46

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper
Algo que me intriga como professor, pesquisador e principalmente como pai é me deparar com jovens que são inteligentes, autônomos e educados. São pessoas que parecem ter a sabedoria de alguém com o dobro de suas idades, mas que ainda contam com a espontaneidade e a criatividade de alguém mais novo. Mesmo sendo protagonistas de suas vidas, estão sempre aprendendo.
Já tratei da discussão da inteligência, principalmente da abordagem da Teoria das Inteligências Múltiplas, em outras ocasiões. Mas como tornar nossos filhos mais autônomos?
Diversos empreendedores narram fatos que viveram com seus pais na infância e que mudaram para sempre suas vidas.
Salim tinha 8 anos quando pediu uma bicicleta ao pai.  Para sua surpresa, recebeu dois sacos de laranja e um canivete.
Pai e filho Foram para a frente do estádio de futebol da cidade onde viviam para vender laranjas descascadas. No final do dia, Salim foi contar o dinheiro. “Aprendi a comprar a bicicleta e o que mais quisesse na vida”, diz Salim Mattar, fundador da Localiza Rent a Car. Com isso, aprendeu a se virar em qualquer situação.
Meyer também tinha mais ou menos a mesma idade de Salim quando ficou sabendo que precisava usar óculos. Ele e seu pai foram a uma ótica para consultar o preço dos óculos desejados. Já na segunda ótica, ele ficou radiante ao falar para o pai, na frente do vendedor, que os mesmos óculos estavam muito mais baratos do que na primeira loja. Seu pai o tira da loja para lhe dar a maior bronca da sua vida. Ia começar a negociar um preço melhor com o vendedor, quando o menino atrapalhou seu plano. Com isso, Meyer Nigri, fundador da Tecnisa, aprendeu a comprar.
Ainda menino, Alair ficava maravilhado em ver como seu tio, dono de um mercadinho, apresentava o arroz que vendia a granel para suas clientes. Ele espalhava uma amostra sobre um tecido azul escuro que destacava a brancura do arroz. A qualidade do produto ficava nítida e o produto era vendido rapidamente. Dessa forma, Alair Martins, fundador do Grupo Martins, aprendeu que a qualidade em si pode não ser suficiente, é preciso destacá-la. Com isso, aprendeu a vender.
Aos 14 anos e nascido em uma família muito pobre, Wilson também pediu uma bicicleta ao pai. Mas ganhou um saco de batatas. Seu pai, que tinha uma beneficiadora de arroz, o desafiou a vender batatas e acumular o lucro até ter o dinheiro para comprar o que desejava. Com isso, Wilson Poit, fundador da Poit Energia, uma das maiores empresas de ativos temporários do País e um dos empreendedores de mais sucesso da Endeavor, aprendeu a usar uma energia que nem sabia que tinha para transformar sonhos em realidade.
Apesar da saúde frágil, Carl Page, professor de Ciência da Computação da Michigan State University, não se cansava de ensinar a seus filhos, Carl Jr. e Larry, sobre as inúmeras aplicações da computação. Eram horas de debates sobre os grandes problemas da humanidade e aplicações computacionais. Com isso, ambos aprenderam a programar suas vidas.
Anos depois, Carl Page Jr. se tornou milionário ao fundar o eGroups e vendê-lo ao Yahoo! por US$ 432 milhões. Quanto ao outro filho, Larry Page… bem, ele co-fundou o Google.
Um grande pai não espera o presente do seu filho, mas o prepara para o futuro quando não estará mais presente.

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