Donald Trump pode complicar a vida do empreendedor?

Daniel Fernandes

10 de novembro de 2016 | 16h26


*Por Renato Jakitas
Sim, a avalanche chamada Donald Trump pode alcançar o pequeno empresário brasileiro. Isso, dependendo de dois fatores em jogo: a natureza do negócio e os planos de expansão do empreendedor.
Protagonista de uma tumultuada companha eleitoral ao lado de Hillary Clinton, os dias depois veem sendo marcados pelos questionamentos constantes sobre até que ponto Trump falou a verdade a respeito de seu plano de governo.
Tirando de lado bravatas como a construção de um muro separando os Estados Unidos do México (com o plus de mandar a conta da obra para o país latino), a ascensão de Trump tem todo o potencial para transformar o cenário político americano e, naquilo que mais incomoda o brasileiro, tirar a economia mundial de sua rota globalizada.
Não deve ser fácil manobrar um transatlântico do tamanho dos EUA da forma que ele prometeu. Mas qualquer desvio de curso, seguindo seu plano de governo, vai impactar em uma volta à industrialização norte-americana, dentro de um tom de isolacionismo econômico que impacta diretamente nas startups, por sua natureza disruptiva e de compartilhamento (de conhecimento, talentos e produtos).
Como pontuado pelo site Techcrunch, especializado em tecnologia e em startups, Trump defende um modelo econômico que tende a ser excelente para os empresários americanos envolvidos na cadeia da manufatura, na fabricação de smartphones, por exemplo. Mas tende a ser uma pedra no sapato para as empresas que criam aplicativos para esses smartphones – as empresas de inovação, como um todo, que têm na cultura da globalização seu principal motor.
Como teria sido o desenvolvimento de empresas como Facebook, Google e novidades do porte de Uber e AirBnb em uma econômica que pregasse a centralização da mão de obra dentro de seu território e a expulsão de imigrantes?
Hoje, de cada 10 startups brasileiras, dez têm entre empresas americanas seu modelo dos sonhos, além de nutrir esperanças de estabelecer vínculos com o Vale do Silício, capital mundial das startups, que fica na Califórnia.
Hoje, o mundo dos negócios vê-se em intenso intercâmbio de ideias e novos serviços, com inovações levando empresas que acabaram de nascer para dentro da cadeia de valor de gigantes como Coca-Cola, Airbus, Embraer e até a NASA.
Um país do tamanho dos EUA isolado certamente traria impactos negativos a esse movimento todo. E foi justamente para incentivá-lo que Barack Obama criou, por exemplo, o visto H-1B, que garante a permanência para estrangeiros que provarem ter talento à somar. O H-1B nasceu graças a demanda dos empreendedores americanos  do Vale Silício. E vem sendo empregado por brasileiros que adquirem know-how no país para retornarem e empreender por aqui.
Enfim, essas são algumas das preocupações que envolvem hoje o mercado. O futuro dirá se Donald Trump foi puro e cristalino em sua campanha eleitoral ou se, tocado pelo lado empreendedor que ele é, decidiu manter abertas as estruturas liberais que alimentam a inovação tecnológica do mundo.
*Renato Jakitas é jornalista do jornal O Estado de S.Paulo

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