Três grandes professores que fariam você repensar sua vida

Daniel Fernandes

06 de fevereiro de 2015 | 06h18

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper
Eu sou apaixonado por universidades não porque seja docente, mas porque é o local mais importante para o avanço da sociedade. É onde o melhor do conhecimento é codificado, processado, avançado, transmitido, aplicado e retribuído. É a base para o futuro de nações, organizações e pessoas. Não à toa, quando os imigrantes chegaram aos Estados Unidos, uma das primeiras preocupações foi criar uma universidade. E também não por acaso, hoje ela é a mais conhecida do mundo: Universidade de Harvard.
Todas as nações desenvolvidas têm um imenso orgulho de suas universidades e isto permeia até chegar a cada aluno. Não raro eles retornam para retribuir com doações generosas. O mais recente levantamento da U.S. News constatou que as universidades norte-americanas receberam US$ 355 milhões em doação em 2013. E este não é o valor total, é a média recebida pelas 1.165 universidades que enviam suas informações. Só para deixar claro, cada uma recebeu, em média, quase um bilhão de reais em doações só no ano de 2013.
Apenas Harvard, tem US$ 32,3 bilhões em caixa. Se Harvard se juntasse com a Universidade de Stanford, que tem US$ 18,7 bilhões, teriam mais dinheiro que o valor de mercado da Petrobrás.
A minha paixão pelas universidades começa pelas instalações. Não é nem necessário visitar as mais famosas para ficar de queixo caído. Apenas na região metropolitana de Boston há 51 universidades além de Harvard e MIT. Dez segundos são suficientes para ficar absolutamente impressionado com os prédios da Boston College, por exemplo. Como não querer estudar ali?
Mas de nada adianta as instalações se aquilo não for utilizado visando extrair o máximo de potencial de cada pessoa que por ali passa. E quem faz isto em qualquer grande universidade é o(a) professor(a)! É dele(a) um dos papéis mais nobres de qualquer ser humano: ensinar a fazer, a ser e a viver sua plena capacidade.
Daí minha admiração pelos trabalhos de Neil Gershenfeld, Michael Sandel e Jennifer Aaker. Gershenfeld é professor do MIT e em 1998 ele criou uma disciplina chamada “Como fazer (quase) qualquer coisa” que se tornou uma das mais populares da instituição, atraindo alunos de todas as formações. A ideia do curso é ensinar os participantes a fazerem coisas que não estão nas lojas e muitas sequer foram imaginadas antes.
Michael Sandel, da Escola de Governo de Harvard, talvez seja o maior professor celebridade de todos os tempos. Suas aulas são acompanhadas por milhares de alunos simultaneamente. Mesmo assistindo suas aulas gravadas e disponibilizadas gratuitamente em  www.justiceharvard.org é quase impossível ficar indiferente às suas provocações e reflexões sobre a ética e a moral. Diante de uma determinada situação difícil, qual é a coisa certa a fazer? Não é um curso de direito, são literalmente verdadeiras lições de vida sobre como ser o que somos diante daquilo que deveríamos ser!
E por fim vem a Jennifer Aaker. Ela é pesquisadora e ministra curso sobre felicidade na Universidade de Stanford. Sua disciplina Design para Felicidade, por exemplo, leva cada participante a viajar por dimensões que vão além daquelas até então conhecidas. Seu artigo (

Documento

) organiza de forma incrivelmente simples o que é felicidade, o que a determina e como podemos ser mais felizes.
Com universidades e professores assim, retribuir o que recebemos não é agradecer o passado, mas fortalecer um futuro que já foi escrito quando participou das aulas.
Quando aprendemos a fazer mais, a ser mais e a viver mais nossa plena capacidade, tornamos protagonistas de nossas vidas e empreendedores de nós mesmos!

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