Tratar e reaproveitar água da chuva será tão essencial quanto Wi-Fi

Daniel Fernandes

14 de janeiro de 2015 | 15h51

Leo Spigariol escreve toda quarta no Blog do Empreendedor
Estava no trânsito, voltando de uma reunião e, como de costume, gosto de ouvir notícias no rádio. E, em São Paulo, o tema mais abordado não poderia ser outro: crise hídrica da região metropolitana. E os números são extremamente preocupantes. Muitos estudiosos sinalizam que o sistema só voltará aos níveis normais, se houver racionamento e São Pedro ajudar, em 5 ou 6 anos. E, por mais que alguns bairros de periferia já estejam sofrendo com a crise de abastecimento de uma forma desumana, com as pessoas tentando sobreviver faz uma semana sem água em suas torneiras, ainda estamos longe do limite dessa crise.
Agora, você já pensou, friamente, quais serão os impactos disso? Quantas pessoas entrarão para um modelo de condições precárias de sobrevivência? E quantas empresas deixarão de produzir ou atender por conta de não ter água?
Num cenário crítico (mais crítico seria possível?), certamente teremos um processo migratório ampliando o índice de desocupação, com queda significativa no valor dos aluguéis, retração na construção civil e assim por diante. Influenciará toda a economia da região – que, diga-se de passagem, é a base do PIB nacional.
Muitos dirão que é uma oportunidade. Oportunidade para empreender em algo para tentar amenizar isso em um primeiro momento. E sem dúvida alguma é. Ao meu ver, captar, tratar e reaproveitar água da chuva será tão essencial quanto Wi-Fi. Ou mais. Mas no fim, se não conseguirmos atingir o ponto principal, que é a educação, tudo será paliativo.
Em meio a esse cenário, me vem à mente cenas fictícias do filme Madmax, um mundo louco em que as pessoas lutam desesperadamente por água. A tendência é nos depararmos com contingentes de pessoas voltando para suas cidades de origem ou buscando novas searas. O interior do Estado de São Paulo, para além da região de Campinas, tende a ser uma rota de fuga. E como será isso? Será que esses municípios estão preparados para receber essas pessoas? A economia local suporta?
Toda a crise hídrica é resultado de uma questão cultural, que, para ser revertida, teria de ser revista na base, na educação. Mas como esse item, no Brasil, passa por uma estiagem também, cabe aos que têm acesso à informação mudar a cultura com atitudes transformadoras. Na nossa empresa, uma das nossas primeiras metas para 2015 é conseguirmos, de alguma forma, melhorar o índice de economia de água de nossa fábrica em Santa Cruz, mesmo que o município não sofra por enquanto com isso. Temos a obrigação de cuidar. Cada colaborador DECABRÓN será embaixador da economia de água. Antes que o rio Pardo seque.
 

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