Trabalhar de casa é bom para o funcionário e para empresa, mas com moderação…

Daniel Fernandes

05 de março de 2013 | 06h44

Renato comenta decisão da CEO do Yahoo, Marissa Mayer

Essa semana, a Marissa Mayer, CEO do Yahoo, proibiu os seus funcionários de trabalharem de casa, uma coisa que é bem comum no mundo das startups de internet. No Fashion.me não temos uma política formal sobre trabalhar remotamente, mesmo assim, não é raro alguns dos nossos funcionários trabalharem de casa alguns dias – por precisarem de um ambiente onde eles consigam se concentrar mais, por problemas de transporte, por estarem indispostos ou para terminar alguma tarefa que ficou faltando na semana.
Hoje em dia, é muito fácil trabalhar de onde você quiser. No Fashion.me, por exemplo, todos os nossos sistemas e arquivos estão na ‘nuvem’ e, por isso, eu consigo trabalhar de qualquer computador, em qualquer lugar. Na minha opinião, é importante o time todo estar unido grande parte do tempo, para que a comunicação funcione melhor.
Trabalhamos com uma equipe pequena, e sem um processo formal de comunicação, então, o melhor jeito de saber o que está acontecendo no escritório é…estar no escritório. Muitas decisões sobre os produtos acontecem sem nenhum planejamento, geralmente alguém ‘levanta a bola’ e se começa a discussão. Todo mundo ouve e todo mundo pode opinar. De repente, quando nos damos conta, o escritório inteiro fica duas hora decidindo sobre o layout de um novo menu, por exemplo.
Isso é bastante produtivo, porque cada um vê o problema com seus olhos: o time de UX olha a interação com usuário, os desenvolvedores pensam na dificuldade de se implementar e o time de marketing ajuda a definir o potencial de venda do novo formato. Tudo isso só é possível porque nós dividimos uma sala de 30 metros quadrados em 10 pessoas (é bastante apertado, mas divertido).
Mas não é necessário que todos estejam juntos o tempo todo. Existem tarefas que fazemos melhor quando estamos sozinhos. Eu sempre escrevo esse post, por exemplo, no domingo à noite, da minha casa. Eu sei que é muito difícil eu conseguir me concentrar para escrever durante a semana, no escritório, com toda a barulheira, os telefonemas e os e-mails. Existe também o problema da percepção do trabalho. É muito fácil saber se uma pessoa está produzindo ou não quando ela está ali do seu lado, mas é muito difícil saber se o relatório que a pessoa fez remotamente e te enviou demorou 30 minutos ou 8 horas para ser produzido.
Quando parte da equipe está longe, como o nosso time nos Estados Unidos, acontecem outros problemas. O primeiro é o próprio fuso-horário, às vezes precisamos falar com eles e ainda é muito cedo ou já é muito tarde. O segundo é a língua, por mais que toda a equipe fale inglês com fluência, alguma comunicação se perde no meio do caminho e por último é a cultura, o jeito deles trabalharem é diferente do nosso. Então, às vezes, coisas que são obvias para nós não são para eles. Não tem muito jeito, temos que pegar o avião e estar com bastante frequência perto deles e assim fazer com que esta equipe não seja tão remota assim.
Eu entendo a Marissa, e acho importante para uma empresa que esteja passando por dificuldades como o Yahoo ter políticas como esta, mas eu acho que possibilitar o trabalho remoto, com consciência e sem abusar, é bom para o funcionário e bom para a empresa.
 

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