Temos de saber lidar com a perda dos nossos cachorros queridos

Daniel Fernandes

21 de fevereiro de 2013 | 08h37

Não devemos condenar os bichos pela idade ou por alguma doença


Nós atendemos desde recém-nascidos até os bem velhinhos.
Não é novidade pra ninguém que os animais estão vivendo cada vez mais. E melhor.
Eu mesma tenho uma golden retriever de 14 anos, a Donna. Adotei há pouco mais de um ano. Ela está ótima.
Laura, uma das veterinárias da minha equipe, tinha uma cocker de 18 anos. Nos últimos dois anos ela não andava muito bem e infelizmente morreu nesta semana.
Minha irmã Gabriela tem uma cocker de 16 anos, a Angel.
Angel está cega de um olhinho, é cardiopata, hipertensa e tem o fígado gordo (esteatose hepática). Ela anda bem seletiva na alimentação. Não para um minuto dentro de casa o que agrava seu problema de artrose no cotovelo e joelhos. Hoje toma nove medicações por dia. Ela também já teve um câncer de mama há alguns anos.
Angel tem hoje um cardiologista, uma oftalmo e um oncologista. Tudo isso para garantir uma velhice com qualidade.
Os animais estão vivendo mais também em função do avanço da nossa medicina veterinária. Isso é muito bom. Temos muitos especialistas no mercado.
Precisamos garantir qualidade de vida aos nossos amigos de quatro patas.
Nós temos também que saber lidar com a partida deles. Saber quando parar o tratamento. Saber o limite. Temos que separar a ideia de fazer tudo por eles da ideia de não suportarmos sua partida. Não podemos ser egoístas. Ninguém é eterno. Nem mesmo eles. Somente em nossas lembranças. Precisamos saber parar e curtir o tempo que resta com a melhor qualidade possível. Sem culpa.
O texto do prof. dr. Tarso Felipe Teixeira – especialista em oncologia veterinária – gentilmente escrito para nosso site ilustra bem isso. Confira aqui.
Como os animais estão vivendo cada vez mais, acabam desenvolvendo algum tipo de câncer. Quando sai o diagnóstico alguns proprietários ouvem como uma sentença de morte. Nem sempre é assim. Existem muitos casos de sucesso, com tratamento cirúrgico e quimioterápico, podendo resultar em cura.
Nós não devemos condenar nossos bichinhos seja pela idade ou por alguma doença. Temos muito a aprender com isso. Eles nunca sabem que estão doentes ou velhinhos. Podemos continuar cuidando deles com todo carinho e amor. Eles certamente agradecem!

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