Sucesso é resultado de sorte e trabalho duro com assunto que dá tesão, diz empreendedora

Daniel Fernandes

21 de janeiro de 2019 | 12h52

Ivan Bornes *

Sabe a pessoa que sempre está nas festas mais divertidas, nos eventos mais interessantes da cidade e com as pessoas mais bacanas do salão? Pois essa é a jornalista Magali Magalhães, fundadora da Journal, uma assessoria de comunicação e entretenimento criada em 2001.

É ela quem que faz a lista de quem entra ou não no camarim da estrela do rock. E, para aqueles que pensam que tudo são flores, fica o recado: não pense que é fácil esse mundo do rock’n’roll e da fama, onde os clientes são exigentes e acostumados ao que há de melhor no mundo.

Mesmo convivendo com estrelas do rock, famosos e bacanas da alta sociedade, Magali é uma das pessoas mais discretas, humildes, profissionais e simpáticas que se pode encontrar. Formada em Jornalismo pela PUC-SP, foi morar em Londres nos anos 1990 para aperfeiçoar o inglês.

Voltou em 1996 ao Brasil, onde foi parar na gravadora Paradoxx Music – justamente porque falava inglês fluente. Daí para a frente, é Magali quem nos conta sua jornada de trabalho e empreendimentos nessa entrevista.

Magali Magalhães e integrantes do Pavilhão 9. FOTO: Journal Com

Como apareceu esse trabalho na Paradoxx?

Comecei a trabalhar no departamento internacional da gravadora justamente porque eu falava inglês fluente. Música sempre foi uma paixão na minha vida desde a infância e eu trabalhava com o maior prazer. Vi de perto muito sucesso!

Foram três anos na Paradoxx, sendo dois anos e meio à frente do departamento de imprensa, em pleno auge da gravadora. Muitos artistas nacionais e internacionais de peso faziam parte do casting.

Você se formou jornalista, mas rapidamente estava trabalhando em assessoria de imprensa?

Quando ainda estava no departamento internacional da gravadora, resolvi fazer por conta própria um trabalho de assessoria de imprensa para o lançamento nacional de um CD de um amigo. O resultado foi tão bacana que chamou a atenção dos sócios da gravadora. Por coincidência, o gerente de imprensa pediu demissão e eu fui convidada pelo presidente da gravadora a assumir o lugar de gerente de imprensa. Cuidei de importantes lançamentos de CDs e shows.

Fale de alguns trabalhos que você fez.

Entre os meus trabalhos preferidos estão o lançamento do CD Fat Of The Land, do Prodigy, quando o grupo estourou mundialmente e fui para Londres com os 15 principais jornalistas de música do Brasil para uma agenda de entrevistas com eles. E também a agenda de entrevistas por telefone que coordenei com o Bruce Dickinson, do Iron Maiden, durante três dias.

E como surgiu a sua empresa, a Journal, no meio de tanto rock’n’roll?

Foi uma oportunidade que vi, pois no final da década de 1990, as gravadoras começaram a ter sérios problemas com pirataria. E a crise bateu forte. Decidi então abrir um escritório de assessoria de imprensa para atender somente artistas, de lançamentos de CDs a shows. Eu não tinha muita noção do que era ter uma empresa, mas sempre gostei de desafios. Peguei o dinheiro da rescisão, juntei com umas economias que tinha e abri um escritório descolado ao lado da antiga MTV, em Perdizes.

De cara, a própria Paradoxx se tornou minha cliente e outros artistas também começaram a me procurar. Logo depois comecei a prestar serviços para o departamento de imprensa da gravadora Warner Music, onde atendi mais de 30 artistas importantes. O Sérgio Affonso, presidente da Warner Music, me indicou para o Raul Gil, que naquela época tinha um selo musical e lançou aquele monte de calouros que saíam do programa de TV dele. Foi um sucesso!

Magali Magalhãs e Fatboy Slim. FOTO: Journal Com

Você acha que o sucesso é sorte ou trabalho?

Acredito muito na sorte, mas também acredito que o sucesso é resultado de um trabalho bem feito, por isso gosto de trabalhar no formato boutique. No meu caso, acho que foram as duas coisas juntas. Em 2019, a Journal completará 18 anos e eu nunca fiz prospecção com cliente. As indicações acontecem a todo momento.

Como trabalho apenas com coisas que adoro (música, entretenimento, gastronomia, turismo e lifestyle), eu sigo trabalhando com tesão e dedicação em cada detalhe. É muito louco, mas acho que é essa energia que faz a roda girar. Adoro ver cliente feliz. E quando o resultado não rola tão bem quanto a gente gostaria, fico tranquila com a minha consciência porque sei que tentamos o melhor.

Você tem clientes muito famosos, que são seletivos e exigentes. Como chegar num cliente assim?

É caso de sorte! Em 2004, fui indicada pela gerente de imprensa da gravadora Warner Music para a Marina Morena (filha do Gilberto Gil), que na época estava ajudando o Marcus Buaiz (marido da Wanessa Camargo) na abertura da Lotus, um clube internacional de bacanas. Fui à reunião e o Marcus avisou que atrasaria um pouco. Enquanto aguardava ele, acabei conhecendo o Rudolf Piper, um designer alemão famoso radicado em Nova York, que acabou me indicando para o Jeffrey Jah, presidente da marca Lotus e que era considerado o “rei da noite” de Nova York.

A princípio era para atender o Jeffrey Jah em apenas um evento no final de 2004, mas ele gostou tanto do nosso trabalho que atendemos ele até hoje em eventos no Brasil e no exterior. E o Jeffrey também já nos indicou para muita gente interessante e muita gente já contratou nossos serviços porque sabem que atendemos o Jeffrey Jah há quase 15 anos. Também já aconteceu de clientes que gostaram do nosso trabalho nos procurar depois de quase 10 anos. Foi assim com a contratação da chegada do Jamie’s Italian (do Jamie Oliver) no Brasil.

Magali e Buddy Valastro, o Cakeboss. FOTO: Journal Com

Como surgiu em você o interesse por empreender?

No meu caso, primeiro apareceu uma ideia que me fez virar empreendedora. Eu, particularmente, acho que o empreendedor nasce de uma oportunidade ou uma ideia. Mas também acho que não é qualquer perfil de pessoa que se encaixa nessa história. Conheço pessoas de personalidades fortes, inteligentes, pró ativas que não têm coragem de abrir uma empresa. Preferem não arriscar.

Como é a rotina de uma empreendedora como você, que precisa estar em tantos eventos, muitos deles são festas e baladas?

A vida de empreendedor nem sempre é fácil. Às vezes é necessário se virar em dois, até três para dar conta do recado e isso acaba consumindo muitas horas extras, noites, finais de semana. Já vivi muito isso, mas acho ruim esse trabalho exaustivo. É importante ter equilíbrio profissional, senão o trabalho fica sufocante.

Há algum tempo venho tentando manter minha carga horária de trabalho normal. Trabalho à noite ou nos finais de semana apenas em eventos que atendo. Prezo muito pela vida pessoal. Adoro estar com a família e os amigos, viajar, ler livros e sair para jantar. O tempo é algo precioso e é preciso saber dividir as coisas.

Contrate um consultor para a parte que não tem expertise. Se eu fosse abrir uma outra empresa hoje, com certeza não cometeria uma série de erros dos primeiros anos

Quais são os planos de futuro?

Eu quero expandir a Journal para o exterior. Em 2018 estive em Miami para tentar viabilizar um escritório da Journal por lá. Estamos há quase 15 anos atendendo clientes internacionais no Brasil e também no exterior. Acho que esse pode ser um próximo passo importante para a história da empresa.

Se pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando agora no seu setor, qual seria?

Contrate um consultor para a parte que não tem expertise. Por exemplo, eu sou jornalista e, quando comecei minha empresa, não tinha familiaridade com questões administrativas e financeiras. Sofri um pouco. Depois de um tempo comecei a investir em consultorias, e a coisa foi ficando mais clara. Se eu fosse abrir uma outra empresa hoje, com certeza eu não cometeria uma série de erros dos primeiros anos.

Qual o futuro do Brasil?

Tenho esperança de que o Brasil vai melhorar. Temos que ter porque é muito difícil ver tantas empresas fechando. Cada vez mais tento alinhar nosso trabalho com qualidade de vida. Precisamos de resultados e não de ficar presos em escritório para justificar o trabalho. No futuro, desejo cada vez mais poder trabalhar de diferentes lugares. Nossa contribuição é oferecer aos clientes um trabalho com excelência e transparência. Temos plantando isso em todas as pessoas que passaram pela nossa equipe.

É prazeroso ver profissionais que já passaram pela Journal em cargos importantes em grandes empresas. Me sinto feliz também quando alguém que trabalhou muito tempo com a gente manda notícias de agradecimento por tudo o que aprendeu na Journal e o que ela fez de bem para a pessoa.

Ivan Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo

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