Steve Jobs não permitia aos filhos pequenos usar o iPad em casa

Daniel Fernandes

11 de setembro de 2014 | 13h41

É absolutamente imperdível o artigo escrito por Nick Bilton na edição desta quinta-feira do New York Times. De maneira até surpreendente, o jornalista revela que Steve Jobs era um daqueles pais que limitavam o uso que seus filhos faziam de dispositivos tecnológicos em casa.
O jornalista conta que Jobs o havia chamado para conversar sobre algo que ele havia escrito sobre o iPad. Em determinado momento, Bilton perguntou se os filhos do chefão da Apple adoravam o iPad. Isso foi em 2010, quando o aparelho era o hit do momento.
A resposta de Jobs causou surpresa ao jornalista: “Elas (crianças) não usam. Nós limitamos o quanto de tecnologia nossos filhos acessam em casa”.
A discussão sobre o uso da tecnologia por crianças é algo totalmente diferente da relação entre pais e filhos quando chega o momento do primeiro entregar o comando da empresa ao segundo.
Eu sei disso.
Mas a história de Nick me levou a pensar que não é porque o seu pai é o dono da Apple que você vai querer…ser o chefão da Apple. Ou gostar de tecnologia.
No Estadão PME, já publicamos os dois lados da sucessão familiar. Já mostramos casos em que a mudança simplesmente não funcionou. Mas já publicamos histórias em que essa transformação foi melhor para a empresa. Como é o caso da rede Giraffas. Recentemente, a empresa promoveu a saída dos sócios-diretores. Incluindo aí Carlos Guerra, um dos fundadores da companhia.
Assumiu o comando do negócio seu filho, Alexandre, com o objetivo claro de manter o negócio de fast-food relevante. “É preciso investir e se preocupar mais em ganhar eficiência”, falou Alexandre, durante o Encontro PME, enquanto seu pai, ao lado, (apenas) observava a conversa.
Alexandre atuava e falava como líder da empresa, que pretende chegar a R$ 856 milhões de faturamento neste ano. Carlos pode ou não ter falado desde muito cedo sobre o negócio da família em casa. Confesso, não perguntei a respeito. Mas a escolha de Alexandre pelo comando da empresa não me pareceu forçada, era natural.
Talvez esse tenha sido um dos objetivos de Jobs. A fascinação – pelo comando do negócio ou por tecnologia – pode acontecer naturalmente. E será sempre muito melhor do que algo forçado.
Daniel Fernandes é editor do Estadão PME e as maiores tecnologias a que tinha acesso em sua juventude eram o telefone discado e o video-game Odyssey.

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