Startups morrem por excesso de oportunidades

Daniel Fernandes

19 de março de 2013 | 07h04

O recurso mais escasso de qualquer empreendedor é o tempo


Dizem que startups morrem não de falta de oportunidades, mas de excesso. Eu acho que é verdade.Uma das coisas mais difíceis no meu dia a  dia no Fashion.me é dizer não. São muitas ideias que surgem o tempo todo, vindas das mais variadas pessoas de coisas que até fazem sentido para o negócio, mas que não são o foco propriamente dito.
Por exemplo, é comum o pessoal me perguntar se não é possível usar a mesma tecnologia do Fashion.me para redes de outros assuntos como decoração ou arquitetura. É claro que é possível, mas precisaríamos dedicar a equipe inteira para um outro foco, para que desse certo.
“Porque vocês não abrem na Europa ou na Ásia?” – como se fosse uma coisa que demorasse 5 minutos para fazer. O recurso mais escasso de qualquer empreendedor é o tempo. Com tanto para fazer e com tanta incerteza pela frente, focar na coisa errada pode significar a morte da empresa.
O problema é que muitas vezes não dá para saber o que é a coisa certa. Um cliente querendo pagar uma boa quantia para fazer um projeto especial (que não é exatamente o que você gostaria para o seu produto) por exemplo. Vale parar toda a equipe para faturar esta grana agora, mesmo que demore um pouco mais para alcançar o seu objetivo inicial? E se este cliente não for o único com esta demanda? De repente vale mais a pena pivotar (mudar o foco) a empresa e passar a oferecer esta solução.
Manter o foco é importante, mas ser flexível também e importante e gerar receita é super importante. Quem disse que a estratégia que você adotou lá atrás é a que vai ser vencedora? Quando é a hora certa de rever a sua estratégia?
O que fazemos no Fashion.me é adotar uma postura de desconfiança. É difícil a gente falar não de cara, para qualquer coisa que aparece na nossa frente, mas sempre olhamos tudo com desconfiança. Questionamos bastante se faz sentido ir buscar uma receita por exemplo, mesmo que ela tire a gente do foco e analisamos o custo de oportunidade.
Muitas vezes o que fazemos é um pequeno teste para se ver se alguma coisa que não temos certeza que vai dar certo. Ligamos para mais alguns possíveis clientes para saber se aquela solução que não queríamos fazer faz sentido para eles também ou implementamos uma mini versão reduzida desta solução para ver se faz sentido ou não.
Durante estes três anos, já mudamos a estratégia algumas vezes. Tentamos alguns caminhos que não deram certo e outros que eram bem mais difíceis do que esperávamos. O importante é perceber rápido quando se está perdendo o foco e agir rapidamente.

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