Startups focadas na mulher mostram caminho para empreender com impacto

Startups focadas na mulher mostram caminho para empreender com impacto

Empresas que desenvolvem soluções para saúde feminina, femtechs têm potencial global de US$ 50 bilhões até 2025; setor tem espaço para endereçar desafios como mioma e problemas de tireoide

Maure Pessanha

04 de março de 2022 | 18h28

Em pesquisa, a Frost & Sullivan estima que o potencial do mercado global de femtechs – startups que utilizam tecnologia para melhorar a saúde e o bem-estar das mulheres – é de US$ 50 bilhões até 2025, e envolve soluções de fertilidade, gravidez, cuidados menstruais, menopausa, entre outras.

A análise mostra que a pandemia gerou um impacto negativo dramático nas saúdes física e mental das mulheres, revelando que, embora as soluções de saúde digital tenham recebido impulso recentemente (financiamento de mais de US$ 1 bilhão nos últimos três anos), há uma escassez de startups que enderecem desafios como miomas, síndrome de ovários policísticos, problemas de tireoide, endometriose, saúde pélvica e cuidados antes, durante e pós-menopausa.

A estimativa deste potencial está amparada por dados que apontam que 90% das mulheres, no mundo, decidem os gastos de saúde familiar e influenciam amigos; 80% dos gastos diretos com saúde doméstica são feitos por elas; 50% dos clientes globais de saúde são mulheres; e elas representam 80% dos profissionais do setor.

A Korui vende coletores menstruais e atua com educação menstrual em comunidades. Foto: Divulgação

De acordo com a análise da consultoria – que há seis décadas é reconhecida pelo papel em ajudar investidores, líderes corporativos e governos a identificar tecnologias disruptivas e oportunidades de negócios –, há cinco fatores críticos para esse mercado global de femtechs prosperar:

  • o primeiro é a acessibilidade dos empreendedores a programas de apoio;
  • seguido por impulsionar a adoção e adesão por meio de políticas governamentais e agências de seguro;
  • depois, parcerias B2B (business to business) com hospitais públicos, empresas de saúde, entidades de saúde pública e ONG;
  • além de modelos customizados de receita;
  • e soluções acessíveis e focadas nos aspectos menos explorados da saúde da mulher.

Na minha percepção, muitos desses fatores críticos falam sobre tornar as soluções acessíveis para as mulheres em situação de vulnerabilidade social e econômica. E isso conversa muito com o ecossistema brasileiro de negócios de impacto socioambiental.

No Brasil, negócios de impacto já atuam com temáticas diretamente relacionadas, combatendo a pobreza menstrual – como mostrou reportagem do Estadão, destacando entre as empresas a Korui como exemplo da possibilidade de criar soluções que endereçam diretamente os desafios amplos que envolvem a saúde feminina.

Em última análise, a expansão das femtechs no País representa uma sólida tendência para os próximos anos à medida que o segmento de healthtech esteja atento para essa oportunidade.

* Maure Pessanha é empreendedora e presidente do Conselho da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

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