Startup usa inclusão de pessoas com deficiência como diferencial competitivo

Startup usa inclusão de pessoas com deficiência como diferencial competitivo

Egalitê, que promove PCD no mercado de trabalho, terá feira de emprego digital e gratuita a partir do dia 21/9, quando se comemora o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência

Maure Pessanha

16 de setembro de 2020 | 10h26

A Relação Anual de Informações Sociais (Rais) registrou que o Brasil, em 2019, contava com 486.756 pessoas com deficiência (PCD) em postos de trabalho formais, ou seja, menos de 1% do total de funcionários. Em um País com quase 46 milhões de brasileiros que declaram ter algum grau de dificuldade para enxergar, caminhar, subir degraus ou possuir deficiência intelectual – de acordo com o Censo 2010 –, a parcela de trabalhadores PCD com carteira assinada é vergonhosa, sobretudo se pensarmos que a Lei 8.213/91 prevê que empresas com mais de 100 funcionários tenham de 2% a 5% de pessoas com deficiência no quadro de colaboradores.

Incluir, na minha análise, significa mais do que cumprir normas legais; está mais associado ao fato de trazer um importante diferencial competitivo para dentro das organizações. Assim como a sociedade é diversa, as empresas deveriam ser.

Com essa perspectiva, um negócio de impacto social construiu formas de tornar os ambientes corporativos mais diversos. A HRtech Egalitê tem desenvolvido uma série de iniciativas com este intuito de ser fonte de transformação no mundo do trabalho. Fundada por Guilherme Braga, a empresa anunciou a realização, entre 21 e 28 de setembro, de uma feira de empregos, digital e gratuita, inteiramente focada em oferecer oportunidades de trabalho para profissionais com esse perfil.

A Inclui PcD terá início no Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência e tem o objetivo de conectar empresas e profissionais, além de promover palestras com especialistas da área.

Guilherme Braga, da Egalitê. Foto: Marco Torelli/Estadão

A Egalitê – que realiza avaliação de perfil comportamental e de educação, adaptada para as pessoas com deficiência – já incluiu, efetivamente, mais de 7 mil profissionais no mercado de trabalho de 19 Estados, atendendo a mais de 500 empresas. Um serviço pertinente prestado pelo negócio é, também, o auxílio às companhias interessadas em desenvolver melhores práticas de inclusão no ambiente de trabalho, tornando-o mais produtivo para todos os envolvidos.

E isso tem a ver com reconhecer o potencial das pessoas com deficiência de contribuir com o retorno produtivo, criativo, inovador e financeiro para as organizações. Premiada, a empresa conquistou o World Summit Awards (WSA), promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU), justamente por essa contribuição social de combater noções limitantes de que o mercado de trabalho pode prescindir de talentos diversos.

Empresas e candidatos interessados em participar do Inclui PcD podem acessar o site do evento.

* Maure Pessanha é empreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

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