Startup brasileira não é o Facebook e precisa gerar caixa rápido

Daniel Fernandes

23 de julho de 2013 | 07h16

Renato fala sobre longo prazo x curto prazo

A gente aprende na escola a pensar no longo prazo, escrever a visão e a missão e elaborar as estratégias do negócio. Na vida real, grande parte do tempo se dá nas tarefas de curto prazo, coisas do dia-a-dia, como se preparar para uma reunião, responder um e-mail do cliente, negociar com o fornecedor, etc.
Quase nunca paramos para pensar se esta ou aquela atividade estão de acordo com as nossas estratégias, quando muito pensamos como ela impacta a linha da receita ou da despesa. Na grande maioria das vezes fazemos as atividades porque é o nosso trabalho, você sempre fez estas atividades, ou alguém mandou você fazer isto e pronto.
Na grande maioria das vezes, as atividades que fazemos no dia-a-dia, e os nossos objetivos de longo-prazo vão na mesma direção, mas nem sempre é assim:
O Fashion.me, por exemplo, é um site e vende publicidade para os seus cliente. De vez em quando, aparece um cliente que não quer comprar publicidade, mas sim usar a nossa tecnologia e está disposto a (e bem) pagar por isto.  Pensando na estratégia de longo-prazo, e nosso foco, deveríamos negar este cliente e continuar a vender publicidade, afinal, vender tecnologia não é o nosso foco e se queremos ser a maior rede social de moda do mundo, não faz sentido licenciar a nossa tecnologia.
Por outro lado, precisamos de caixa e esta é uma ótima oportunidade de gerar um lucro extra. É bem difícil dizer o que se deve fazer nestas situações, o que tentamos fazer é procurar alinhar de alguma forma este pedido com a nossa estratégia. Por exemplo, no caso anterior, poderíamos tentar fazer com que os usuários desta plataforma licenciada também sejam usuários da rede principal, e que eles saibam que estão participando do Fashion.me.
Deste modo, mesmo em um outro ambiente, eles de algum modo fazem parte da rede e aumentam a nossa audiência. Quando a sua empresa tem recursos é mais fácil dizer não para estas coisas. É comum ouvir histórias de startups americanas que tiveram oportunidades de ganhar bastante dinheiro mas não toparam porque ia contra os seus objetivos de longo prazo.
O Facebook, por exemplo, durante muito tempo não aceitou fazer anúncios para não atrapalhar a experiência do usuário e mesmo quando resolveu aceitar, fez de uma maneira diferente do convencional, na época, que era o uso de banners.A realidade brasileira é que a maioria das startups não tem muita opção, é preciso gerar caixa muito rápido, fazendo o que for preciso, e isto quase sempre inclui atividades que não são o foco e que não estão de acordo com as estratégias de longo prazo.

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