Sobre Sociedades e Amizades

Daniel Fernandes

27 de agosto de 2015 | 07h12


Todos já ouviram falar de casos nos quais o negócio arruinou uma amizade de anos. É bem verdade, isso acontece. É bem comum até, a literatura empresarial está cheia de casos assim.
Também conheço pessoalmente casos de irmãos separados pelos negócios, após anos de trabalho juntos, e que hoje não se falam. Há famílias inteiras divididas pelos negócios, todos conhecem um ou outro exemplo.
Por isso, algumas pessoas preferem empreender sem sócios. Sem dúvida pode ser um caminho livre de problemas societários, mas, me parece muito mais difícil, e um pouco… solitário, não é? Muito chato.
Já eu acredito nas parcerias, em compartilhar, em somar, em dividir, em cumplicidade, em celebrar. Acho muito mais divertido e interessante fazer a empresa acontecer com pessoas que agregam, que complementam o sonho.
Ao longo dos vários negócios que fui fazendo na vida, tive muitas sociedades, e de todo tipo: com parceiros de trabalho, com amigos, com parentes. Algumas deram certo, atingiram objetivos. Outras não.
Mas sempre mantive a fé intacta no outro, no sócio, no parceiro.
No entanto, não nego que seja complexo e trabalhoso.
Têm muitas coisas que não sabemos quando iniciamos um negócio. Inclusive o que cada sócio pode (ou não) fazer bem feito. Ao longo do tempo precisamos alinhar constantemente o que esperamos uns dos outros para evitar o distanciamento, a divergência, o desentendimento.
Precisamos pedir desculpas, precisamos refletir, estender a mão. Começar de novo.
É necessário desenvolver um altíssimo grau de confiança, objetivos comuns, disposição para superar conflitos e, acima de tudo, um certo altruísmo – é preciso colocar o bem estar da empresa acima do seu próprio interesse. Isso é muito difícil para a maioria, mas caso se consiga, é uma força inestimável na dinâmica de trabalho.
O resultado é no longo prazo, um projeto de vida, de respeito mútuo.
Não existem sociedades perfeitas, nem precisa. O sucesso não está em não ter divergências – já que isso é impossível. Mas em saber superá-las, com altas doses de disposição, pitadas de bom humor e um grande objetivo em comum: fazer dar certo.
O bacana é que nesta jornada vamos nos tornando pessoas melhores.
Ivan Primo Bornes, fundador do Pastifício Primo, acredita que, com boa companhia, a viagem é sempre mais divertida.

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