Bê-a-bá para franqueados

Daniel Fernandes

28 de abril de 2016 | 08h06

A palavra ‘Franquia’ volta e meia aparece nas conversas de empreendedores. E praticamente tudo o que você consegue imaginar é franqueável hoje em dia. Desde lavanderias, passando por lojas de doces, marido de aluguel, yoga, petshops, hotéis, cervejarias, aluguel de carros, massa artesanal (pastifícios) e muito mais.
Diferente de uma grande empresa comandada por executivos, uma franquia é geralmente operada pelo próprio empreendedor, que não apenas financia o negócio, como também faz tudo aquilo que qualquer dono de pequena loja precisa fazer no dia a dia: contas a pagar e receber, contratações e demissões, ir ao banco, atender ao público, pegar pedidos, responder emails, cuidar das mídias sociais, arrumar as prateleiras, treinar a equipe e uma infinidade de pequenas atividades.
O que diferencia uma franquia de um negócio qualquer é a necessidade de seguir um conjunto de regras, tanto operacionais quanto de marca, e pagar uma taxa de royalties para o franqueador.
As vantagens para o empreendedor fazer parte de uma franquia são muitas:
– ficar mais focado na rentabilidade diária do negócio
– ganho no poder de venda de uma marca reconhecida
– acesso a descontos com fornecedores em escala
– suporte de marketing, investimentos de criação de conteúdo
– sistemas de controles, software
– e, principalmente, a sabedoria acumulada pelo franqueador e franqueados, que funciona como um “conselho”
Já ouvi a frase que “ser um franqueado é estar no negócio por conta própria, mas não sozinho”. Ou seja, mesmo com todo o suporte do franqueador, esteja preparado para desafio.
Apesar de existirem talvez milhares de franquias diferentes, não quer dizer que todas são boas para qualquer um. Ser dono de uma franquia, assim como ser dono de qualquer outro tipo de negócio, não é para os fracos do coração.
E o melhor franqueado, na minha opinião, não é necessariamente quem tem mais experiência ou dinheiro, e sim quem tem disciplina e vontade de entrar num sistema de trabalho do qual se identifica com os valores, com a ética e a cultura dessa empresa, e está disposto a trabalhar pelas regras, pela “constituição”. Para o sucesso do seu negócio, não vejo tão importante escolher uma franquia inovadora e sensacional, e sim que você se sinta confortável no negócio, caso contrário vai ser difícil de dar certo.
Por isso é importante que o candidato à franquia, antes de assinar qualquer contrato, faça uma boa autoanálise para saber quais são seus pontos fortes e quais os pontos fracos. Quem sabe você odeia lidar com vendas, mas adora animais, por exemplo, isso já pode ser um indicativo de direcionamento, não é?
Em primeiro lugar é importante entender que o negócio precisa ser rentável, deve dar lucro para pagar suas contas; é bastante óbvio, na verdade. E também considero imprescindível que, para que um negócio tenha sucesso, seja relevante para a comunidade, ajude pessoas, gere empregos, crie coisas boas aos seu redor. O empreendedor, o franqueado, deve ter um forte senso de competitividade, mas também deve querer escrever uma história bonita na sua vida. É o comprometimento com os sonhos e objetivos de vida o que faz toda a diferença.
Os primeiros seis meses são muito desafiadores em qualquer negócio. No Pastifício Primo, eu os chamo dos “meses de heroísmo”. Pois tudo é novo. Nosso treinamento é de mãos na massa, mas mesmo assim, é muita informação nova, vida nova, clientes novos, loja nova, equipe nova. É muita coisa para absorver. Por isso acompanhamos muito de perto estes meses, dando suporte, apoio, aconselhamento e, principalmente, tranquilidade. Ao final de 6 meses, quando nosso franqueado olha para trás e diz “uau, como avançamos! ” é um momento mágico e gratificante. E ficamos todos energizados para a próxima etapa de consolidação!
Ser um franqueado é, portanto, um negócio para pessoas com uma atitude profissional, empreendedora, competitiva.
As minhas dicas finais:
– Capacidade de ouvir conselhos: ser um franqueado é basicamente saber ouvir quem tem mais experiência que você.
– Atitude positiva: sempre vai haver dias ruins, mas isso não significa que o mundo está acabando!
– Capacidade de lidar com pessoas: não é necessário ser genial, mas é preciso saber administração básica e falar com as pessoas, sejam clientes, funcionários ou fornecedores.
– Respeito pelas regras: reconhecer o valor do sistema já criado e trabalhar na mesma direção
E finalmente, talvez primeiramente: se você é do tipo que acha que sabe mais do que os outros – do seu franqueador, neste caso -, melhor inventar seu próprio negócio e esquecer a franquia. Porque vai estar desprezando justamente aquilo pelo que você estará pagando: a expertise alheia, muitas vezes oriunda de já ter cometido muitos erros, sim. Erros que, como franqueado, podem ser economizados.
Ivan Primo Bornes – masseiro fundador do Pastificio Primo tem como missão espalhar a revolução das massas pelo Brasil.
 

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