Sobre restaurantes e seus donos

Daniel Fernandes

18 de fevereiro de 2016 | 07h15

Acabei de ler o livro de Joe Bastianich – notório empreendedor de restaurantes estrelados nos Estados Unidos – chamado Restaurant Man.  Ele é um dos donos do Eataly, além de alguns dos restaurantes mais elogiados do mundo, como o Babbo, Del Posto e outros.  Como meu negócio é gastronomia, confesso que encontrei no livro muitas situações nas quais me identifiquei, que já passei em algum momento e outras tantas que espero não passar jamais.
Também foi uma oportunidade de conhecer um pouco mais desse sujeito polêmico – um terço italiano, um terço americano e um terço prepotente. Pois o livro é uma sequência verborrágica de palavrões e autopromoção no qual ele conta a sua jornada e de como “conquistou o mundo”. O cara fala mal de mulheres, de ex-sócios, de judeus, de fornecedores, dos garçons, de concorrentes e clientes.Nem a família escapa de sua metralhadora giratória.

Mesmo no meio de tanto ego, como tudo nessa vida, sempre podemos tirar algumas lições do livro.
A primeira delas, pra mim, seria algo do tipo: jamais me comportar igual a esse falastrão arrogante chamado Joe Bastianich, que “se acha”. Eu sempre desconfio que casos assim devem ser algum problema de auto estima mal resolvida, né?
A segunda lição, evidente pelos empreendimentos badalados de Joe, é que o sucesso de um negócio não depende de você ser uma pessoa bacana: o importante é ser eficiente, conseguir vencer os desafios que aparecem todos os dias e de todo lado. Ponto para o canalha.
A terceira lição, que aparece ao longo de todo o livro, é uma verdade sempre presente em todo empreendedor: a arrogância de acreditar nos instintos, na visão de negócio, insistir até dar certo, contra tudo e contra todos. Remar contra a corrente, ser diferente, ser excelente. Sem dúvida que apenas poucos chegam ao sucesso nos negócios e apenas pouquíssimos entre os poucos é que se destacam na gastronomia de sucesso e qualidade. Mais um ponto.
As demais lições presentes no livro de Joe também podem ser úteis a qualquer pessoa interessada em empreender – e não apenas na gastronomia. Em diversos momentos aparecem exemplos práticos de problemas com o fluxo de caixa nos empreendimentos, na gestão de pessoas, nos problemas societários. Problemas recorrentes a qualquer empreendedor, em qualquer negócio, em qualquer época. A coragem com que ele conta as dificuldades faz surgir uma leve empatia.
Alguns trechos:
“A maioria das pessoas que abre um restaurante falha porque não tem o conhecimento básico da matemática. Ou pensam que são chefs celebridades ou acham que são anfitriões maravilhosos.”
“Se pretende contar com seus amigos para abrir um restaurante, você estará ferrado.”
“As habilidades de um maître são as mesmas de uma prostituta: estão ali para agradar os clientes, fazê-los entrar, fazê-los se sentir como se fossem únicos e tirar deles o máximo de dinheiro que puderem.”
“Fashionistas são uma droga. A maioria das pessoas do mundo da moda não estão nem aí para o que fazemos, elas praticamente não comem mesmo.”
“As pessoas mais velhas tendem a achar que restaurantes estão ali para servi-las e que qualquer funcionário de lá está abaixo delas. Essas pessoas são babacas.”
Depois da leitura fiquei com a impressão de que todos os caminhos de empreender levam a Roma, mas o bom é que podemos escolher a companhia. Ivan
Primo Bornes – fundador do Pastificio Primo, leva a vida vivendo e aprendendo.
 

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