Sobre as guerras e as pessoas

Daniel Fernandes

26 de novembro de 2015 | 07h08

O mundo anda tenso, bruto e triste.
Talvez à beira de uma nova guerra mundial, como alguns falam.
Atentados espalhados pelo mundo contra civis, mas agora não mais em lugares distantes de nosso dia a dia, e sim no epicentro político global, muito próximos de nós.
A centena de mortos em Paris, uma das cidades mais representativas do chamado mundo ocidental, nos tirou da zona de conforto. A escalada dos conflitos armados em todas as partes. África. Ucrânia. Oriente Médio. Migrações de refugiados. Um avião russo de combate foi abatido pela Turquia. Possibilidades de represálias. Cenas de filme.
O perigo de governos em guerra contra outros governos é assustador. Países em guerra contra vizinhos, pessoas matando de forma organizada outras pessoas por motivos políticos ou religiosos. A violência oficializada em bandeiras nacionalistas ou religiosas parece ser nosso pior defeito como humanos repetido infinitamente.
Algumas nações passaram anos se curando dos horrores que fizeram inspirados por líderes malucos. Sob uma bandeira qualquer, a individualidade se perde. A ética se perde. A paz perde. A violência ganha status de valor e álibi para o horror. O pior do homem comum surge com a desculpa de “apenas obedecer ordens”.
Eu considero que tem uma diferença enorme entre um doente mental psicopata, que mata um cidadão na rua, e um governo que quer fazer a mesma coisa com outro governo. Eu vejo uma diferença enorme entre um grupo de marginais organizados para perpetrar assaltos ou violência com objetivo financeiro, e grupos que procuram o terror social, o poder e a influência política pela violência. Percebo diferenças entre sujeitos que matam para roubar, e aqueles que matam para intimidar nossas vidas e liberdades.
O primeiro tipo sempre pode ser controlado através de leis, organização social, distribuição de riqueza e outras ações cívicas. Já o segundo grupo está numa jornada de fanatismo e extermínio, controle e poder. É assustador pensar em viver (ou voltar a viver) sob um sistema político de violência. Existe meio termo para esta situação?
Um governo é composto por pessoas, representa um grupo social. Representa organização política. É triste ver com que facilidade e irresponsabilidade os governos colocam indivíduos pacíficos em guerra. Matando pessoas que, em quaisquer outras circunstâncias, seriam vizinhos, amigos, falariam de futebol e dariam risadas juntos.
Num mundo globalizado e interligado, pequeno, compartilhamos tantos valores, tantas culturas e idiomas. É difícil aceitar a violência como uma normalidade.
Aqui no Blog do Empreendedor eu escrevo muito sobre recomeçar, cair e levantar, aprender com os erros, viver a angústia de dar certo, inteligência emocional para tomar as melhores decisões.
Bem, nossos líderes políticos mundiais também são empreendedores. Ou deveriam ter o espírito de empreendedores. Os presidentes destes e daqueles países devem estar decidindo, neste exato momento, as medidas e contramedidas a serem tomadas na geopolítica mundial. Calculando recursos, fazendo contas, estimando as chances. Tentando lidar com os problemas inesperados que vem surgindo no meio do caminho. Liderando gente, gerindo crises.
Espero que tenham a sabedoria de tomar as melhores decisões. Como todos os dias tentam fazer, pelo mundo afora, milhares de empreendedores que têm consciência de que não se pode pensar isoladamente, apenas nos interesses próprios. Como uma empresa, o mundo pode falir a qualquer momento. Já ocorreu outras vezes. E quem conhece a história sabe a que preço de vidas perdidas e quanto tempo se levou para reabrir as portas.
Ivan Primo Bornes acredita em fazer massa, não guerras.

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