Só estamos tomando gol contra

Daniel Fernandes

18 de junho de 2014 | 06h20

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira
Acho que nunca tomei tanto café em minha vida como na última semana. Vocês também? Nossos nervos estão à flor da pele. Festa no estádio e queda no índice de confiança no varejo. Acho que essa euforia talvez seja nervosismo. Para mim, o gol que o Brasil precisa fazer é outro. Não é do Neymar Jr. e de ninguém da seleção brasileira.
A demanda tem crescido muito pelos nossos produtos e, atualmente, nosso maior desafio é conseguir aumentar a escala sem perder a qualidade. É aí que a porca torce o rabo. Aumentar escala, invariavelmente, acaba gerando uma série de outras necessidades, as quais você nem imagina, caso você não tenha um engenheiro de produção ou alguém com muita experiência em chão de fábrica.
Hoje, sofremos muito com a deficiência de parceiros que entendam nossa infraestrutura fabril e se adeque ao nosso perfil de empresa. Encontrar alguém que tenha uma solução de produção integrada, com um modelo de consultoria imparcial no quesito marca de equipamento, que atenda a uma pequena empresa de forma completa e que, acima de tudo, preserve os recursos é como cabeça de bacalhau: existe, mas ninguém nunca viu.
Há muito que melhorar na qualidade das pequenas empresas brasileiras. E falta suporte tecnológico para tanto. Chegamos a presenciar diversas atrocidades e muito amadorismo em pouquíssimo tempo. No ano passado, encomendamos um tacho de cozimento de inox de uma empresa de Minas Gerais, que conhecemos em uma feira especializada no setor.
Na citada feira, a empresa tinha stand, mostruário vitrine com qualidade e com diversos clientes em nossa região, ou seja, apresentação extremamente profissional. Entramos em contato e fechamos um projeto. De início, basta dizer que a empresa atrasou a entrega em 120 dias. Isso mesmo! Cento e vinte dias além do prazo estipulado, com erros grotescos do ponto de vista técnico, coisas básicas com as quais qualquer empresa fornecedora de equipamentos no mercado alimentício deveria se preocupar. Solda mal feita, problemas de vedação e polimento e uma infinita lista de problemas. Sinceramente, não sei como o mercado aceita esse “padrão de qualidade”.
Algum tempo depois, conversando com amigos que possuem fábrica, a resposta foi unânime: bem-vindo ao Brasil. Concluo o seguinte: ao invés de nos espelharmos no funk ostentação, está na hora de aprendermos com os alemães, os japoneses e a capacidade de fazer as coisas funcionarem dos norte-americanos.No Brasil, falta muito. Estamos ainda na era do bambu, sonhando com Google Glass.
Hoje, o gol que eu quero que o Brasil faça, de novo, é para a educação. Porque, do jeito que está, só estamos tomando gol contra.
Curtiu? Então multiplique. Repasse. Trafique. Contrabandeie esse conteúdo. Sem medo de ser feliz. E até a próxima quarta-feira.
 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: