Sim, existe gestão de pessoas para micro e pequenas empresas

Sim, existe gestão de pessoas para micro e pequenas empresas

Empreendedores tendem a achar que não é necessário fazer gestão de pessoal quando o quadro de funcionários é reduzido, mas são eles o cartão de visitas da empresa, diz analista do Sebrae-SP

Redação

15 de outubro de 2019 | 11h22

Por Pâmela Lotti, analista de negócios do Sebrae-SP

No atual cenário econômico, temos as micro e pequenas empresas como um importante pilar, uma vez que essas empresas são responsáveis pela maior parte dos empregos ofertados e, consequentemente, proporcionam significativa geração de renda anualmente no Brasil.

Todavia, podemos dizer que o dia a dia desse empresário é marcado pela sobrecarga de trabalho e acúmulo de funções. Afinal, ele é responsável pela gestão integral da empresa, tem de se preocupar com gestão financeira, problemas tributários, ações de marketing, busca de fornecedores.

E mais: faz compras, realiza pagamentos, resolve assuntos bancários, abastece sistema, controla estoque, faz ou fiscaliza a limpeza, busca parcerias, analisa o concorrente, atende o cliente… Vive apagando incêndios, pois é responsável por resolver todos os problemas da empresa, dos pouco significativos até aqueles mais preocupantes.

Diante dessa realidade, raramente encontramos a gestão de pessoas elencada na listinha de prioridades. Muitos empresários ainda têm a sensação de que essa seria uma preocupação menor, uma questão para ser resolvida em um outro momento ou com que não precisaria se preocupar, já que seu quadro de funcionários é reduzido. O fato é que a maioria não está disposta a investir no fortalecimento do setor de recursos humanos por diversos motivos, inclusive por acreditar que esse assunto está relacionado a custos elevados.

Proporcionar um ambiente motivador e cuidar dos colaboradores são tarefas de todas as empresas. Foto: Pixabay

No entanto, é importante salientar que, independentemente do tamanho e do porte da empresa, o olhar e o cuidado com as pessoas é de extrema importância. Atrair, selecionar, preservar a integridade física e emocional, proporcionar um ambiente saudável e motivador e cuidar do desenvolvimento dos colaboradores são tarefas que devem fazer parte do dia a dia de todas as empresas.

Uma gestão de pessoas feita de maneira eficiente impacta diretamente os números e resultados do estabelecimento, afinal, o funcionário pode ser considerado um “cartão de visitas”, já que, muitas vezes, é por meio dele que o cliente estabelece seu primeiro contato com a empresa.

É esse colaborador que se relaciona diretamente com o cliente, é ele quem realiza o processo de trabalho idealizado pelo gestor e é para ele que esse gestor irá delegar tarefas e funções de maneira a diminuir o acúmulo de funções do empresário e deixá-lo mais livre para trabalhar as estratégias da empresa, visando ao crescimento.

Conceito de gestão de pessoas

Para que isso tudo isso seja possível, é necessário, em primeiro lugar, que se desmitifique o conceito de gestão de pessoas como sendo um setor de departamento pessoal que, na maioria das vezes, é de responsabilidade do departamento de contabilidade.

A gestão de pessoas não deve ser sinônimo de controle de folhas de pagamento, cálculo de ponto, tributos e horas extras. O principal esforço da gestão de pessoas é cuidar do ambiente de trabalho zelando pelas relações interpessoais e mantendo funcionários motivados e satisfeitos com a política de valorização e de reconhecimento da empresa. Portanto, se a empresa tiver apenas um colaborador, já há uma relação interpessoal, logo há lugar para a gestão de pessoas.

A gestão de pessoas proporciona um espaço em que há atenção e investimento, financeiro ou não, na melhoria da qualidade de vida no ambiente de trabalho, na produtividade e comunicação gerando melhores resultados, uma vez que colaboradores satisfeitos e motivados trabalham de maneira mais comprometida e se entregam mais ao trabalho, de fato vestem a camisa da empresa por perceber que vale a pena estar ali e, principalmente, por querer estar ali.

Mesmo que a empresa não tenha condições físicas e financeiras de ter um setor específico para gestão de pessoas, é importante que o empresário busque realizar ações que contribuam para o alcance da excelência. Seguem algumas dicas:

  1. Contratação certeira: não basta querer e estar disposto a uma vaga, é necessário fazer uma avaliação minuciosa a fim de garantir que o candidato tenha o perfil e competências adequadas à vaga.
  2. Planejamento: estabelecer objetivos organizacionais e as devidas competências, recursos e planos para alcançá-los é essencial para que todos possam caminhar na mesma direção.
  3. Comunicação a caminho da integração: assegurar-se de que o que foi falado é de fato o que foi entendido é um passo significativo na direção do alcance dos objetivos traçados. Para um bom trabalho a equipe precisa estar integrada e em constante comunicação.
  4. Monitoramento: por meio desse processo é possível corrigir desvios, melhorar desempenhos, identificar e solucionar conflitos sempre visando à busca por mais agilidade e à vantagem competitiva para a empresa.
  5. Avaliação: medir o desempenho individual e da equipe servirá de base para manutenção ou alteração da estratégia utilizada, além de permitir que se evidencie o colaborador/equipe que merece destaque.
  6. Reconhecimento: essa será a chave para o sucesso e para a manutenção da equipe em elevado estado motivacional, lembrando que o gestor deve ter capacidade de reconhecer aqueles que merecem destaque sem, no entanto, deixar de promover um amistoso clima organizacional.
  7. Benefícios: ao contrário do que muitos pensam, não é apenas um bom salário que mantém um funcionário motivado e satisfeito. Benefícios que atendam à real necessidade do colaborador podem compensar uma diferença salarial, como o caso dos convênios médicos e da flexibilidade de horários, por exemplo.
  8. Capacitação e desenvolvimento: são ferramentas importantes para chegar ao resultado almejado já que oferece condições para o colaborador desenvolver o que é esperado. Para capacitar e desenvolver, nem sempre é necessário dispor de recurso financeiro. É possível, por exemplo, promover um espaço formal para troca de conhecimentos entre os próprios colaboradores.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: