Será que estamos aprendendo mesmo com nossos fracassos?

Daniel Fernandes

11 de julho de 2014 | 06h20

Marcelo Nakagawa é professor de empreendedorismo do Insper
Na semana passada eu abordei o tema fracasso em que falava da importância da estória dos três porquinhos para desenvolver o comportamento empreendedor nas crianças. Mas uma semana depois, é difícil não pensar na diferença do porquinho brasileiro e o alemão.
Mas o tema fracasso começa em como cada um de nós lida com ele.
Por isso, este é um bom momento para você escrever um currículo só com seus fracassos! Não aprendemos isto na faculdade, a não ser que tenha sido aluno da Professora Tina Seelig da Universidade de Stanford.
Celebrar fracassos aumenta nossas chances de conseguir um novo emprego ou construir um negócio melhor.
Todo headhunter vai questiona-lo a respeito dos seus fracassos. Ele ou ela não quer que você se humilhe, mas que mostre a sabedoria desenvolvida a partir destes eventos.
Se você tem ou pretende abrir um negócio, o fracasso é algo presente na trajetória de todos os empreendedores. Mas alguns sabem lidar com isto, outros não.
Thomas Edison costumava dizer que nunca tinha fracassado na vida. Eu só encontrei 10 mil alternativas que não funcionaram – dizia. Edison era tão obcecado em criar, testar, descartar ou produzir uma invenção que costumava dormir no laboratório. Com isto, fundou a GE, uma empresa que hoje fatura mais de US$ 150 bilhões e provocaria o caos na Terra se deixasse de existir.
Thomas Edison tinha um grande amigo que também foi muito bom em fracassos. Sua primeira empresa, a Detroit Automobile Company faliu depois de três anos de aberta. Não satisfeito, colocou seu nome na próxima empresa e a chamou de Henry Ford Company. Esta fracassou ainda mais rapidamente. Em menos de dois anos já tinha falido.
E seguindo a lógica do provérbio japonês, se cair duas vezes, levante três, no ano seguinte, fundou a Ford Motor Company. Se você acha que o resto é história, lembre-se que foi o modelo T que fez de Ford uma lenda. Mas o modelo T não foi seu primeiro modelo. Se o T não foi o primeiro, qual letra você imaginaria que Ford escolheu para seu primeiro veículo nesta fase? Pois é, com seu primeiro modelo A, Henry Ford vendeu 1.750 carros. Seu modelo seguinte, o B, vendeu 500 unidades.  Não satisfeito, Ford lançou o Ford C e vendeu 800 veículos. O alfabeto evoluiu de 1903 (A) até 1908, ano de lançamento do Ford T, que se tornou lendário com seus 15 milhões de unidades produzidas. Fracasso é somente uma oportunidade para começar novamente de forma mais inteligente – acreditava Henry Ford.
Poucos anos depois, quando Edison e Ford já estavam consolidados como exemplos de empreendedores de sucesso, outro empreendedor também passou a celebrar o fracasso. Ao assumir o comando da empresa que viria a ser a IBM, Thomas Watson espalhou diversos cartazes na empresa. Um deles dizia: Perdoamos fracassos que tragam aprendizados. Quando também se tornou um empreendedor de sucesso e questionado como conseguiu tal proeza, Watson explicou: Isto é muito simples, mesmo. Dobre a sua taxa de fracasso. Você pode imaginar que o fracasso é o inimigo do sucesso. Mas não é.  Você pode ficar desencorajado pelo fracasso ou você pode aprender com ele.
E desde então, saber celebrar fracassos se tornou um dos pilares de sustentação dos melhores empreendedores e executivos. Isto é resumido no lema de David Kelley, fundador da Ideo, a atual referência mundial em inovação: Fracasse mais para ter sucesso logo!
Marcos Hashimoto, amigo e professor de empreendedorismo, afirma que, na verdade, só um há tipo de pessoa que fracassa: aquela que não consegue aprender com seus próprios erros.
O problema é se estamos, realmente, aprendendo com nossos erros?
 

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