Será que em 2021 teremos de estimular o empreendedorismo?

Daniel Fernandes

01 de fevereiro de 2013 | 07h33

Marcelo fala sobre fomento aos pequenos negócios


Há 13 anos comecei a ajudar dois jovens, Marília e Makoto, que lideravam uma ONG com nome de ônibus espacial. Na época, eu trabalhava em um fundo de capital de risco e tínhamos uma enorme dificuldade para encontrar um ser especial que chamávamos de empreendedor.
A palavra, de origem francesa, não aparecia na maioria dos dicionários brasileiros e era comumente traduzida como empresário. Mas aquela ONG diferenciava o empreendedor do empresário e queria destacar pessoas que tinham criado empresas grandiosas (de “great” e não exatamente de “large companies”) e que poderiam servir de inspiração para outros. Afinal, ter uma empresa ainda antes da virada do século era quase sinônimo de quem não tinha conseguido um bom emprego. Era mais ou menos assim: coitado, não conseguiu um emprego e teve que abrir um negócio próprio.

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Mas muita coisa mudou desde a chegada da Endeavor ao Brasil em 2000. O Sebrae ampliou os serviços e também passou a atuar com muito mais força na formação de novos empreendedores e não meros “microempresários”.
Além disso, faculdades e universidades incluíram a disciplina empreendedorismo no currículo, uma enorme literatura brasileira sobre o assunto foi escrita e os empreendedores já não são um bando de coitados. Eles e elas estão na mídia, são reconhecidos em público e admirados e cobrados pela sociedade.
O resultado deste movimento é observado ano a ano na pesquisa Global Entrepreneurship Monitor. Os resultados divulgados para o ano de 2012 chamam a atenção para alguns resultados:
* 43,5% dos brasileiros sonham em ter o próprio negócio e só 24,7% almejam seguir carreira como empregado em uma empresa.
* 30,2% da população adulta, entre 18 e 64 anos, estava envolvida na criação ou administração de um negócio. Em 2002, este índice era de 20,9% da população brasileira.
*88% dos brasileiros adultos concordam que o empreendedorismo é uma boa opção de carreira.
*70% dos empreendedores brasileiro abrem um negócio por oportunidade. Em 2002, menos da metade (42,4%) abriam o negócio em função de oportunidade.
*49,6% dos que iniciam a carreira empresarial são do sexo feminino.
E outro dado não apresentado pelo GEM, mas constatado pelo SEBRAE é que as empresas estão sobrevivendo mais nos primeiros cinco anos. Quando Laércio Cosentino assumiu a presidência do Conselho de Administração da Endeavor em 2011, Beto Sicupira disse que “Ficaria muito feliz se em dez anos a Endeavor fechasse”, já que em 2021 o empreendedorismo estaria tão impregnado na sociedade brasileira que a ONG perderia seu propósito de existir.
Pela tendência mostrada no GEM, é bem provável que a felicidade do Beto se cumpra nos próximos anos. Até lá, ainda há muito o que fazer, como demonstrado nos relatos dos empreendedores blogueiros desta sessão nesta e nas outras semanas.
A Adriane Silveira, da Nanny Dog, falou do nível de excelência da prestação de serviço ao cliente. Ainda há muito o que aprender neste campo. Como há empresa que presta serviço ruim neste país!
A Juliana Motter, da Maria Brigadeiro, expôs suas dificuldades com os números. Mas isso não é sua exclusividade. De acordo com Salman Khan, o prestigiado educador empreendedor da Khan Academy, isto é uma constante em qualquer país. O problema para o empreendedor é que sua sobrevivência é matemática. Ou tem fluxo de caixa positivo ou o sonho de empreender vira pesadelo. É preciso não só termos mais empreendedores, mas melhores e mais bem preparados.
Renato Steinberg, do Fashion.me, comparou a dificuldade de abrir um negócio no Brasil em relação aos Estados Unidos. Daí a importância de não só criticar, mas também contribuir para que a nova Política Nacional de Empreendedorismo e Negócios (PNEN) seja mais eficaz para todos os empreendedores brasileiros.
E o Pedro Chiamulera estimulou nossa criatividade para aumentar nossa autenticidade, outro pronto extremamente relevante para termos melhores empresas no país. Sem contar o fato de que ele próprio contribui para a disseminação da cultura empreendedora não só por este canal, mas também por ser um empreendedor Endeavor.

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