Seja nota 6 em tudo, mas o resultado do trabalho tem de ser muito próximo de 10

Daniel Fernandes

29 de outubro de 2014 | 06h44

Leo Spigariol (direita), da De Cabrón, escreve toda quarta-feira
Começar um novo negócio. Acho que isso, para a grande maioria, soa como um desafio digno de Hércules (ele e seus 12 trabalhos, inclusive matando leão), não? Para muitos, a decisão de abrir seu próprio negócio acontece sempre depois de um trauma: depois de 20 anos trabalhando na mesma empresa, é demitido. Você se depara com a ânsia de independência, autonomia, liberdade, tudo de bom!
Agora é a sua vez e colocar em prática os seus inúmeros talentos adquiridos em anos e anos de estrada. Agora é sua hora de brilhar, de executar aquele sonho, velho ou recente, mas que certamente tem tudo para se tornar o ovo de Colombo, a invenção da roda. Cada indivíduo tem sua própria história na qual construiu suas habilidades. E seu negócio próprio vai refletir isso, certo? Errado? Cada indivíduo vai fazer de um jeito, vai partir de um jeito, mas uma questão, que não fica muito clara, fica martelando ininterruptamente: como funciona o negócio?
Fui, quando garoto, trabalhar em uma loja de aquários e, para mim, a loja na qual fui trabalhar era a mais legal de todas as lojas que conhecia. Foi minha primeira tentativa de buscar a melhor loja na época, unindo o útil ao agradável.
Certamente foi umas das experiências mais válidas por qual passei, aprendendo muito com Marco, proprietário da loja. Uma das lições que ele me passou foi: não tenha apenas uma habilidade nota dez cercada uma série de notas zero em outras. Para ele, seria melhor ser nota 6 em tudo.
Anos depois, quando estava na faculdade, fui estagiar em uma agência, onde o proprietário era uma figura que conseguia, de uma forma única, motivar e envolver as pessoas em prol do negócio. Era quase uma seita. E seu principal mantra era que um ótimo profissional precisaria ter seus nove F. Isso mesmo, nove F. Fiel, focado, formador, financeiro, feliz, foda, fuçador, followapado e flexível. Depois de alguns anos, quando resolvi fundar minha primeira empresa, comecei a entender o real valor dos noves F. Levo comigo esses ensinamentos que, em cada momento de minha vida, foram extremamente importantes para minha formação.
Todavia, você não trabalhou com esse meu chefe. Então a sua experiência é outra. E ela irá ditar suas escolhas. E, considerando que você iniciará um novo negócio, vale perguntar-se se o que você vai oferecer é realmente necessário.
Se não é, conseguirá fazer as pessoas crerem na utilidade dele? E, por fim e fundamentalmente, qual o nível de excelência desse produto? Lembre-se: você está começando do zero. Seu produto é do zero? Você domina toda a tecnologia envolvida na materialização dele? É um serviço? Tudo bem! Haverá tecnologia, conhecimento envolvido. E você a detém em que nível? Faça-se essas perguntas. O nível de seu produto ou serviço será a síntese do conhecimento e tecnologia que você detém. Se for nota três, seu produto ou serviço será nota dois (nunca conte com o ovo antes de a galinha botar, ok?)
Assim, você costuma buscar referências no mercado para poder estabelecer um parâmetro, se inspirar ou “copiar”? Se sim, já é um começo. Faça o seguinte exercício: estabeleça o tempo que seu produto precisa para estar materializado o produto e pronto para ser vendido. Muito tempo? Não pode esperar tanto então vai oferecê-lo assim mesmo? Certamente sua empresa naufragará rapidamente. O mercado é cruel e exigente. E não tem tempo a perder. Nem dinheiro.
Daí discordo em partes de Marco: seja nota seis em tudo, mas o resultado do seu trabalho tem de ser muito próximo de dez. Sobre o meu outro chefe, ele esperava que chegássemos muito perto de dez em todos os fatores (F).
Na semana que vem, retomarei esse tema para tratar dos caminhos que nos levam a formular um produto ou serviço mais ou menos rapidamente.

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