Seis perguntas que todos candidato a empreendedor deve se fazer

Daniel Fernandes

13 de maio de 2014 | 06h31


Bruno e Juliano Mendes escrevem toda terça-feira
Quais as principais considerações que fazemos antes de levar adiante uma ideia de negócio? No nosso post da semana passada, enquanto falávamos sobre a mágica de transformar o comum em algo especial, comentamos sobre a importância de ser pioneiro ou, então, fazer algo melhor ou diferente de tudo aquilo que já existe.
Estas são duas das seis primeiras perguntas que um futuro empreendedor deve responder:
1) A ideia é pioneira?
2) Se não for, existe espaço para fazer diferente ou melhor?
3) Há dinheiro suficiente para operar sem lucro nos primeiros meses (ou até mesmo anos)?
4) Qual o tamanho potencial do mercado?
5) A concorrência é consolidada ou fragmentada?
6) Existem ameaças importantes fora do controle?
Vamos abordar com maior profundidade cada um desses pontos nos nossos próximos posts aqui no Blog do Empreendedor. Mas, para já explicar cada um deles, podemos dizer o seguinte:
Ideia pioneira
Essa é fácil: existe concorrente no mercado? Alguém fazendo a mesma coisa? Ou serem os primeiros? Ser o primeiro nem sempre é receita para o sucesso. Mas achamos que é melhor do que ser o segundo, ou o terceiro…
Se não?
Se a ideia não é pioneira, será que dá pra fazer um pouco diferente? Será que dá pra melhorar? Muito cuidado! Tem que ser melhor para o cliente, e não para você. Já sentimos isso na pele e nos demos mal (vamos contar mais, no post específico sobre esse assunto,sobre nossa frustrada experiência de abrir um restaurante italiano).

Início sem lucro
O planejamento financeiro mal executado é causa de grande parte das quebras de empresas no primeiro e segundo anos de atividade no Brasil. Não dá para esperar que o dinheiro comece a aparecer logo após abrir o negócio, e que a partir daí a própria receita será suficiente para sustentá-lo por um período inicial. Isso nunca acontece, e muita gente quebra por causa disso.
Tamanho do mercado
Qual o tamanho do mercado: seu bairro? Sua cidade? O mundo? Pessoas das classes C eD? B e C? A e B? Homens ou mulheres? Qual a faixa etária? Eles gostam de que assuntos? O negócio pode ser expandido? Localmente ou para outras praças?
Concorrência
Ah, a concorrência… Uma vez o Beto Barreiros, do famoso Box 32 (um bar que fica dentro do Mercado Público de Florianópolis), disse o seguinte: respeite a concorrência. Seja ético. Seja correto. Ela te ajuda a melhorar. Te ajuda a se se superar. Mas cuidado: ela quer te matar! Existem mercados consolidados, dominados por poucas e grandes empresas, potências econômicas – como o de cerveja -, e mercados fragmentados, com muitos concorrentes de pequeno e médio porte, em muitos casos com atuação regional – como o de queijos. O que é melhor? Não sabemos, mas queremos distância dos mercados consolidados. No post sobre o assunto vamos explicar o porquê.
Ameaças externas
Existem ameaças fora do controle? A Lei Seca, por exemplo, teve impacto para produtores grandes e pequenos. Há algo que se possa fazer? Não muito. Outro exemplo: o salmão chileno contaminado de anos atrás, que derrubou o movimento dos restaurantes japoneses. Não adianta querer empurrar atum, ou peixe branco. Brasileiro come mesmo é salmão. É importante avaliar esses riscos. Tentar dar uma de vidente, ou contratar um, se você acreditar nisso. Nós preferimos pesquisar, usar a intuição, conversar com quem já é do meio ou contratar consultores.
Essas são seis perguntas muito importantes para quem tem uma ideia de negócio e quer saber o quanto ela é viável. É informação e reflexão que só vai ajudar nos preparativos de qualquer empreendimento.
Como citamos o Box 32, aí vai o link pra quem quiser saber mais sobre este empreendimento. O cara transformou um balcão de bar dentro do Mercado Público de Florianópolis (SC) em um grande negócio, visitado por artistas e até presidentes.

E como falamos sobre não ser o primeiro, mas fazer melhor do que aquilo que está aí,gostaríamos de recomendar uma pesquisa na rede de hambúrgueres Shake Shack, de Nova York (EUA). Os caras fazem algo que é feito por muitos,mas com uma qualidade impressionante, a um preço muito bom. Identidade visual muito bacana. A rede pertence a um restauranteur, Danny Mayer, extremamente respeitado nos EUA. Se quiser saber mais, leia o livro dele, “Negócios à Mesa”, que revela a sua obsessão por um serviço perfeito.

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