Se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho come

Daniel Fernandes

13 de agosto de 2014 | 06h46

Leo Spigariol (à direita) escreve toda quarta-feira no Blog do Empreendedor
Nas últimas semanas, venho sentindo a tensão cada vez mais presente nos olhos dos empresários. Será que vai piorar? Ouço isso quase que diariamente de muitos com quem converso. Como escrevi na última semana, a crise é estado transitório – leia aqui. Mas, por questões óbvias, não só porque é transitório que você vai se sentar em sua poltrona e ficar esperando passar.
Infelizmente, no nosso país, o sistema bancário não perdoa. Experimente passar para o lado vermelho do extrato bancário. Em poucos meses, o buraco será tão grande que dificilmente você conseguirá se salvar sem sequelas permanentes.
Na crise é hora de investir. Investir seu tempo em repensar seu negócio. Repensar quem são seus consumidores e como sua marca está dialogando com eles. Dialogar significa que qualquer pio que você der será ouvido. Quanto a pio, me refiro a qualquer coisa que sua marca faça. Passa pelo carro da empresa atravessar o sinal vermelho no trânsito até a sua postura numa reunião com possíveis investidores.
No momento de crise, a percepção é de que todos estão imóveis, assustados, com medo de dar um pequeno salto. E daí advém os inúmeros cortes, sejam na folha de pagamentos ou no cafezinho da copa do escritório. O medo paralisa, já devo ter dito. E a percepção é de que somente os fortes conseguem se mover com destreza. Porque imagem é tudo. Quantas vezes você não viu o seu vizinho com um carrão importado e pensou, mesmo que inconscientemente ou simplesmente num lampejo, o quanto esse cara está se dando bem na vida, está fazendo sucesso?
O ser humano é curioso: gosta da individualidade, mas não suporta ficar fora da opinião coletiva, a tal da opinião pública. Ela é forte, derruba presidentes, mas não reflete muito sobre o que diz; é um tanto impulsiva e sugestionável.
Existe um híbrido curioso: a coragem e a certeza daquele que vai contra a corrente e o blefe deste mesmo sujeito, porque ele agiu por impulso, por instinto de autopreservação. E a tua marca (empresa, logotipo, funcionários, produtos etc. e tudo junto)? Ela vai sair assim, desvairada, tentando acertar? Ou vai se organizar e se planejar? De todo modo, é muito melhor sair com um plano (por mais que ele sofra ajustes no decorrer da viagem).
A sua marca precisa de solidez, de parâmetros claros e direcionamento. Porém, precisa da inventividade, explosão, intuição. Na hora da crise, sim, você precisa dar a cara a bater e colocar a coragem à frente do negócio e conquistar a confiança alheia (que vai injetar outra dose de confiança em você mesmo, a partir do momento que o “coletivo” estiver aplaudindo tua iniciativa). Mas, na hora da crise, faça um plano para tua marca, tenha uma empresa que entenda de branding e que consiga estabelecer contigo as diretrizes da tua ousadia e desenhar o mapa que orientará tua marca no desafio de mudar sem perder a essência.

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