Se continuar reclamando dos problemas estará perdendo o tempo de resolvê-los.

Daniel Fernandes

24 de abril de 2015 | 07h17



Marcelo Nakagawa escreve toda sexta-feira no Blog.
As histórias são conhecidas, mas aqui vai um teste rápido para avaliar seu potencial empreendedor: Eu te dou um limão e você faz uma limonada!
Você é analfabeto! Neste caso, deveria conhecer a trajetória de Thai Nghia. Sua família foi perseguida pelo regime comunista no Vietnã e Thai, desesperado, fugiu em um pequeno barco que ficou a deriva no Oceano Indico em 1979. Foi resgatado por navio petroleiro da Petrobrás que o trouxe ao Brasil. Chegou ao nosso país sem falar, ler ou escrever nada em português. Aprendeu o nosso idioma sozinho e seis anos depois, já tinha entrado na USP e trabalhava em um importante banco brasileiro. Emprestou dinheiro para uma amiga fabricar bolsas e ela não conseguiu pagar o dinheiro devido. Para reavê-lo, passou a vender as bolsas durante o dia já que trabalhava à noite no banco. Passou a ganhar mais dinheiro com as bolsas e decidiu abrir seu próprio negócio. Chamou a empresa de Yepp e depois mudou para Góoc, uma das marcas brasileiras pioneiras a tratar a sustentabilidade com seriedade e convicção quando isto nem era moda.
Você está gordo! O que faria além de um regime? Em 1961, a dona-de-casa Jean Nidetch tinha 38 anos e pesava quase 90 quilos. Notou que não só ela, como seu marido, seus dois filhos, seus amigos e até seu cachorro estavam obesos. Começou um regime e alguns meses depois, reuniu seis amigas “gordas” para anunciar que tinha perdido 18 quilos e as desafiou a seguir seu programa de regime. Começaram a se reunir periodicamente para relatar os avanços e em poucos meses, todas perderam peso. Jean percebeu que tinha uma grande oportunidade de negócio e fundou a Vigilantes do Peso, uma empresa que vale US$ 2,6 bilhões atualmente.
Você não consegue emprego! Por maior que seja a sua insistência, perseverança e preparo. Bom, está hora de colocar o plano B em ação. Foi isto que fez Walt Disney, após diversas tentativas de conseguir um emprego como cartunista. As empresas achavam que o seu traço era “infantil” demais. Disney então criou seu estúdio e o resto da história você conhece quase tudo.
Você é roubado! E perde tudo! O que faria? Bom, se você fosse o sujeito da frase anterior, começaria tudo de novo e melhor. Quando Disney fundou seu negócio, seu primeiro personagem virou um sucesso. Mas isto atraiu a cobiça do seu distribuidor que conseguiu registrar o personagem em seu nome. De uma hora para outra, Disney havia perdido sua criação, seu distribuidor e seu público. Triste, na viagem de volta para casa, imaginou um novo personagem, um ratinho chamado Mortimer, mas sua esposa o convenceu a chamar de Mickey. Sobre seu primeiro personagem, roubado pelo produtor, um coelho chamado Oswald (que depois Disney recuperou), poucos se lembram.
Se os outros problemas seriam fáceis para você, que tal ter nascido cego? Problemão? Não para um sujeito chamado Hans. Ele nasceu cego e só começou a enxergar (mal) aos dois anos de idade. E mesmo assim, apenas com o olho direito. Em 1945, vendeu uma sanfona, seu único bem, por 200 dólares e com este dinheiro, abriu no Rio de Janeiro um negócio que ninguém com a sua limitação pensaria em fazer: uma joalheria. O sobrenome de Hans? Stern! Atualmente, a H. Stern é uma das principais redes de joalherias do mundo.
Todas as adversidades que tive na vida, todos os problemas e obstáculos me fortaleceram. Você não entende quando isso acontece, mas um chute no dente pode ser a melhor coisa do mundo.” A frase é de Walt Disney, mas poderia ter sido dita por todos que não ficam reclamando dos seus problemas, pois sabem que estão perdendo um tempo precioso na busca de soluções.
 

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