Saúde preventiva é mote de três startups que inovam com impacto social

Saúde preventiva é mote de três startups que inovam com impacto social

Negócios como Pé de Feijão, Dersalis e Cognisigns atuam na prevenção de doenças em corporações, além de usar sensores para a identificação do autismo em escolas

Maure Pessanha

04 de setembro de 2019 | 09h12

A saúde pública, com um viés preventivo, tem desafiado o País a encontrar soluções para atender a população mais vulnerável economicamente. Em 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou 928 mil mortes por consequência das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) no Brasil. Hoje, doenças cardiovasculares, diabetes, depressão e estresse – todas passíveis de ações preventivas – são recorrentes e causam preocupação em um cenário de crise socioeconômica agravada por determinantes sociais como maior exposição ao desemprego, piores condições de trabalho, habitações insalubres e estresse.

Há, ainda, fatores relacionados a hábitos e comportamentos não saudáveis como o sedentarismo, a alimentação inadequada e o tabagismo. Diante dessa realidade, alguns negócios têm se mostrado um caminho para o fortalecimento de ações de saúde preventiva.

Entre os exemplos, um negócio que transforma positivamente a relação das pessoas com a comida; uma empresa que atua no monitoramento de sinais vitais para diminuir riscos de acidentes de trabalho; e uma startup com uma solução para identificar nas escolas – com eficácia e de maneira gamificada – crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Pé de Feijão, CogniSings e Dersalis – respectivamente de São Paulo, Florianópolis e Espírito Santo – trazem soluções inovadoras que endereçam desafios da saúde preventiva.

Criada por Luísa Haddad, Cyrille Bellier e Patricia Byington, a Pé de Feijão mostra que a mudança dos hábitos alimentares é um instrumento de prevenção de doenças, oferecendo programas estruturados de qualidade de vida e bem-estar para empresas que proporcionam experiências a colaboradores, clientes e comunidades. As atividades têm por foco a mudança de comportamento e a ideia de reconectar as pessoas com o os alimentos por meio de dinâmicas criativas, didáticas e baseadas em experiência.

O negócio utiliza hortas e sistemas de compostagem – instalados dentro de empresas – como instrumento de aprendizagem. Um fator relevante é a abordagem: olhar a alimentação a partir da horta e não de uma dieta, estabelecendo uma relação mais saudável ao criar um vínculo afetivo e plenamente envolvido no processo da alimentação. É uma forma inovadora para as empresas e organizações que buscam uma abordagem efetiva de saúde e bem-estar.

Luísa Haddad e Marina Ferreira, da Pé de Feijão. Foto: Marco Torelli

André Rocha Soares e Pedro Henrique Moraes Guizardi criaram a Dersalis com o intuito de se tornar referência em gestão de saúde e na atuação preventiva para a diminuição de acidentes nas empresas. O negócio atua no monitoramento de sinais vitais para promover a medicina preventiva capaz de diminuir riscos no ambiente profissional e promover a melhoria nas condições de trabalho aos funcionários.

Com base na Internet das Coisas (IoT), a startup conta com um relógio com sensores inteligentes que captam dados vitais em tempo real e integral de colaboradores de empresas do setor logístico. Com o uso de uma pulseira inteligente e aplicativos – responsável por monitorar os batimentos cardíacos e o nível de agitação do usuário, que são armazenados em um banco de dados com alto nível de segurança e privacidade –, a solução monitora os sinais vitais e aspectos relacionados ao estresse, sono e fadiga no trabalho. Com base nesses dados, promove a medicina preventiva que melhora a qualidade de vida dos profissionais.

Identificação do autismo

Por último, destaco a iniciativa de Leandro Mattos e Andressa Roveda. A CogniSigns surgiu da ideia de criar uma solução capaz de identificar nas escolas de ensino infantil – precocemente e de maneira abrangente – os possíveis portadores do Transtorno do Espectro Autista (TEA). A partir da identificação do autismo, encaminha crianças e pais para profissionais de saúde especializados e disponibiliza conhecimento e pareceres para apoiar o diagnóstico clínico.

A solução conta com hardware e software com sensores não invasivos que identificam respostas comportamentais e fisiológicas em crianças no momento em que são expostas a estímulos sensoriais gamificados. O algoritmo transforma as respostas das crianças em dados e os correlaciona com possíveis sinais de TEA.

Andressa Roveda e Leandro Mattos, da Cognisigns. Foto: Marco Torelli

Entre os impactos sociais, estão a conscientização sobre inclusão nas escolas, o aumento na acessibilidade, na agilidade e na assertividade do diagnóstico do transtorno, a redução do custo de diagnóstico, e o tratamento mais eficaz a partir do diagnóstico precoce. Além de escolas, a assinatura da plataforma é destinada a profissionais de saúde, hospitais, clínicas e convênios médicos.

Inovadores ao olhar para os desafios da saúde e da prevenção sob novas perspectivas, esses empreendedores e empreendedoras reforçam a minha crença na força dos modelos de negócios para gerar impacto social positivo no setor da saúde. São soluções como essas que poderão apoiar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS) – em especial, ao ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), definido como: “Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades”.

* Maure Pessanha é empreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

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