Roupa usada em aluguel por assinatura é mote de negócio sustentável

Roupa usada em aluguel por assinatura é mote de negócio sustentável

Startup WeUse propõe aluguel de roupa como plataforma de streaming, sendo responsável por entregar, retirar e lavar peças; negócio vai na contramão de atual modelo de consumo

Maure Pessanha

23 de dezembro de 2021 | 11h27

Recente estudo conduzido pelo The Future Laboratory, que identificou as 50 tendências de consumo que definirão o próximo ano, defende que em 2022 daremos as boas-vindas a um grande reengajamento, ou seja, estaremos diante do início de uma época na qual nos reconectaremos a formas conscientes, propositais e racionais de nos relacionarmos com o mundo (e os recursos naturais).

Se nos últimos anos vivenciamos a grande aceleração das mudanças – impulsionadas pela pandemia e mediadas pela tecnologia –, agora estamos às portas de novas transformações, sobretudo na forma como trabalhamos, descansamos e fazemos compras. E os negócios de impacto socioambientais não estão à margem desta reformulação de hábitos comportamentais e do viver.

Um dos negócios que gostaria de destacar propõe o repensar do consumo de roupas. A indústria têxtil, aliás, entrou no debate da sustentabilidade relativamente tarde, de acordo com o estudo Future Forecast 2022, do The Future Laboratory. A análise aponta que o cálculo ecológico do setor está ganhando ritmo e novos arranjos disruptivos. Vale lembrar que essa indústria é uma das mais poluidoras do planeta. Na reportagem ‘Deserto do Atacama vira cemitério tóxico da moda descartável‘, o Estadão mostrou o dano causado pelo descarte irresponsável da chamada “moda tóxica”.

Excesso de produção e consumo de roupas leva a problemas como o lixão no deserto do Atacama, Chile. Foto: Martin Bernetti/AFP

Na contramão de um modelo de consumo que não leva em consideração os limites planetários, a WeUse traz uma nova proposta. Fundada por Carlos Alberto Silva, em 2017, a startup é uma plataforma de assinatura de aluguel de roupas para o dia a dia, que faz entregas semanais de peças selecionadas pelo cliente. O negócio de impacto socioambiental funciona como um guarda-roupas virtual de consumo compartilhado de vestuário. A empresa é a melhor expressão do conceito inovador de Fashion as a Service (FaaS).

Assim como em uma plataforma de streaming – na qual os assinantes podem escolher filmes e séries –, no guarda-roupa virtual, os clientes podem selecionar até quatro peças de roupas por semana pelo aplicativo. A WeUse cuida da entrega e da retirada das roupas, assim como da lavagem das peças, sendo que o valor já está incluso na mensalidade; os consumidores podem dispor de planos mensais a partir de R$ 89,90 (plano anual).

Hoje, a WeUse está disponível apenas para consumidores de São Paulo, na capital e cidades de Guarulhos, Osasco, São Bernardo do Campo, Santo André, Mauá, Diadema, Carapicuíba, Itaquaquecetuba, Taboão da Serra, Barueri, Embu das Artes e São Caetano do Sul, mas em breve, pretende expandir o serviço para outros Estados.

A startup está, atualmente, com uma rodada de investimento aberta por meio de oferta pública na plataforma Eqseed, ou seja, qualquer pessoa pode investir no negócio a partir de R$ 5 mil; a ideia é captar R$ 800 mil.

* Maure Pessanha é empreendedora e presidente do Conselho da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

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