Retorno de evento físico no franchising lidou com muitas expectativas

Retorno de evento físico no franchising lidou com muitas expectativas

Passada a feira de franquias no Rio de Janeiro, é hora de entender se as marcas franqueadoras que assediaram futuros empreendedores passam profissionalismo e estratégia

Ana Vecchi

18 de novembro de 2021 | 14h20

A 1ª feira de franquias oficial e presencial realizada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) Seccional Rio de Janeiro trouxe a oportunidade, a interessados no setor, de verem mais de 200 marcas a expandir em território nacional. Milhares de visitantes vivenciaram o que a entidade primou em termos de infraestrutura e organização para o franchising ser um dos protagonistas a reaquecer a economia, gerar empregos e renda.

A Pesquisa Trimestral de Desempenho feita pela ABF apontou, entre outros dados, um crescimento de 7,8% no faturamento das redes comparado a igual período de 2020 (de R$ 43,9 bilhões para R$ 47,3 bilhões) e até melhores do que os do terceiro trimestre de 2019, antes da pandemia.

Na esteira de inovação a que o franchising se propõe, a Expo contou com o espaço Figital (Físico + Digital) e o Fórum de Franchising, com conteúdo sobre ações inovadoras para diferentes conceitos de negócios, além de cases de marcas do mercado de varejo e tecnologia. 

A oportunidade de conhecer as marcas e conversar olho no olho com franqueadores, assim como os mesmos terem esse contato direto com interessados nas franquias, era algo que todos tinham saudade. A visibilidade às marcas pode ter como estratégia o cunho institucional e/ou comercial de expansão. Mas sempre vem a pergunta de quem vai investir para expor nas feiras de franquias e de negócios do próprio setor das marcas: “Será que vai valer a pena?” 

Estandes na Expo Franchising ABF Rio 2021, na volta de eventos presenciais

Clodoaldo Nascimento, presidente da YES! Idiomas, para quem realizei projeto há “décadas”, afirmou que participar da Expo presencialmente, depois de dois anos, foi revigorante. Percebeu um público de qualidade, pessoas que acreditam no modelo de franquias e estão em busca de oportunidades para empreender em negócio já formatado. “Uma marca já consolidada com consultoria em todas as áreas do negócio faz muita diferença.

Andando pelo Rio de Janeiro nestes dias em que a Expo aconteceu e a emenda do feriado não deixou de ser uma grande oportunidade para mim, a cada escola YES! que eu vi, pensei “olha o Clodoaldo aí, gente!” 

O Jorge Mariano, gerente de Expansão da Halipar (Holding de Alimentação e Participações), gestora das marcas Griletto, Montana Grill, Jin Jin e Croasonho, falou da chance de estreitar o relacionamento com atuais investidores e fazer networking com futuros parceiros. “Essa oportunidade, somada às boas perspectivas do mercado, nos proporciona uma expectativa otimista de novos negócios”.

Há uma somatória de fatores que fazem de uma Expo de Franquias um investimento de maior, ou menor, sucesso. A força da marca, a expectativa da franqueadora, por que estar lá e como se preparou são alguns dos pontos. Experiência em feiras de negócios e no franchising, estar com um estande próprio em que a marca é única (“dona do pedaço”) ou participar de um grande estande com uma série de marcas em espaços “mínimos”, muito pequenos e com marcas novas – ainda que com mais de 20 unidades e menos de 40 são outros fatores que pesam aos olhos de interessados, a despeito de serem leigos no assunto. É como um corredor de shopping center. 

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Ostentação também pode assustar quem até tem dinheiro para aquele negócio, mas acha que não, tipo: “Olha isso?! Deve custar muito caro!” E, na real, cabia no bolso. Quem visitou e se interessou por algumas marcas deve acompanhar as ações pós-Expo das marcas que expuseram, ver se elas estão entrando em contato dando continuidade ao que foi apresentado, ao cadastro feito e ao que foi combinado depois do “Obrigado, foi ótimo te conhecer!! Vamos nos falar esta semana sem falta!”

Se o silêncio se fizer presente, por uma a duas semanas, esqueça. Se a presença do/a consultor/a de expansão for avassaladora e insistente com pressão demais, cuide-se. Não ceda à pressão, pois pode significar metas de vendas de franquias a cumprir e, talvez, não interesse muito a eles/as quem você é, suas expectativas e como vai tocar o negócio (se tem perfil ou não para estar à frente de uma operação franqueada).

O equilíbrio entre o silêncio e o exagero demonstra certo grau de profissionalismo, estratégia, responsabilidade, exigência de que ambas as partes se deem bem no contrato que possa vir a ser assinado. Quem fez de tudo para ir visitar, mas não conseguiu, vai entrar em contato com as marcas que expuseram e as que não, se cadastrar e iniciar um processo similar ao que escrevi acima. E analisar passo a passo, com cautela e paixão. 

Difícil estes extremos num mesmo pacote, né?! Eu sei, mas franqueadores e futuros franqueados precisam desse olhar apaixonado, um pelo outro, com todo respeito e consciência dos papéis de cada um, para que o investimento dos franqueadores, na Expo, retorne por meio do investimento dos franqueados que, também, terão retorno de seus investimentos nas franquias que escolheram.

* Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e na expansão de negócios em rede.

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