Ressignificar o franchising requer histórico de sucesso dentro dele e na prática

Ressignificar o franchising requer histórico de sucesso dentro dele e na prática

Vamos primeiro definir o que queremos, como e por que queremos e quem vamos impactar positivamente na sociedade

Ana Vecchi

27 de maio de 2019 | 16h40

O artigo de hoje vai para os franqueadores, protagonistas do sistema brasileiro de franchising, quando falamos em expansão de rede de negócios formatados.

Muito tem-se discutido, entre franqueadores, a nomenclatura do modelo de negócios que têm e se determinadas denominações existem ou não. Há quem estude muito e busque documentos que comprovem a existência do que defendem como modelo de negócio, a história do franchising no Brasil, no mundo, na Europa, não podendo faltar os Estados Unidos, claro!

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São importantes as discussões e definir se existe nano franquia, se está inserida no universo de microfranquias ou não; se o open franchise é tão inovador e transformador como se anuncia ou se é uma reformulação da franquia de sexta geração/ABF; se food truck é modismo ou tendência que não deu certo no Brasil – à exceção de todos que deram certo; se o franchising está pronto para a Nova Economia ou se mantém-se tradicional em cima de regras que, hoje, não fazem mais sentido; se gamificação é como vídeo-game que engaja gamers devido à estratégia de marketing digital ou se corresponde ao uso de mecanismos, elementos, dinâmicas e técnicas de jogos orientados a resolver problemas práticos, despertar engajamento entre um público específico, ensinar ou testar se aprenderam um ensinamento específico, em um contexto fora do jogo. Ou seja, o jogo é deslocado da função de puro entretenimento, tem seu conceito ressignificado e assume novo papel e importância na sociedade atual.

Ressignificar o franchising envolve olho no olho sem pieguice. Foto: Pixabay

Ressignificar é um verbo forte e muito importante! É uma ação, um movimento fora do papel. O franchising vive sendo ressignificado por todos nós, players e protagonistas de um sistema que permite a tantas pessoas empreender, aprender a empreender, a tocar negócios, a expandir negócios, crescer exponencialmente e impactar a sociedade. Como, para tudo, para o bem e para o mal.

Mas a minha reflexão é sobre como os franqueadores estão realmente prontos para o real desconhecimento de quem vai comprar uma franquia sobre tais terminologias, o papel das partes, a responsabilidade em empreender, quanto vale cada tostão investido e suas consequências, quão fundamental é treinar, treinar e treinar para alcançar o sucesso que tanto almejamos. Que mudar o mindset para o empreendedorismo não se faz com a assinatura de um contrato de franquia e 5 dias de treinamento – já que não se treina ninguém a nada em 5 ou 10 dias, meia dúzia de manuais operacionais também não fazem milagres.

Há quem defenda que já sabe de tudo isso, mas nos bastidores vejo que não. Os resultados mostram que não. A insatisfação de franqueados querendo virar bandeira declaram que não.

A criação de conselhos de administração (CAD) assusta pela seriedade que impõe. E, ainda assim, conheço CADs que não funcionam, no plural mesmo. E sabe por quê? Porque há de haver uma autoridade no CAD, alguém que tenha autoridade sobre o assunto, sobre o conceito e o propósito desse negócio, propósito este compartilhado entre os membros do conselho.

Sem autoria, sem dono, sem ego, sem o “eu fiz”. Com total compartilhamento de ideias, visão e responsabilidade. O olho no olho sincero e com a transparência do “eu confio em você”, “estamos juntos nessa pelo bem de todos” – sem pieguice ou papo filosófico. Mas, sem o bem de todos, não há bem para ninguém. Sem confiança, não há trato, só contrato. Sem compartilhar, não existe nem o antigo “dividir”.

Isso e um tantão a mais é ressignificar o franchising. Vamos primeiro definir o que queremos, como e por que queremos. Quem vamos impactar positivamente na sociedade. Como inovar no que fazemos e, só então, voltemos à discussão de como “isso” se chama. Vamos mergulhar, profundamente, nos propósitos do franchising e ressignificá-lo para a abundância de todos que estiverem envolvidos em nossa cadeia de valor. Win Win é o nome deste jogo, franchising.

* Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e na expansão de negócios em rede.

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