Ressaca de hambúrguer

Daniel Fernandes

01 de setembro de 2016 | 13h26

Tá todo mundo falando da Bel Pesce nesta semana.
E eu não quero entrar no mérito do crowdfunding realizado, ou da necessidade real do dinheiro, ou do impacto que a internet causou no negócio – matou antes de nascer – nem do nome Zebeleo, nem dessas coisas todas que viraram polêmica ou piada na última semana. É fácil atirar pedra nos outros, não é? Não quero isso.
Mas minha curiosidade é irresistível, e vai para o lado prático da coisa: afinal, por que uma hamburgueria?
Caramba! Quando li pela primeira vez sobre o assunto, o que mais me chamou a atenção foi a – pouca -originalidade do negócio, principalmente considerando que se juntaram três pessoas esclarecidas e de alto potencial: uma empreendedora visionária, um blogueiro de receitas e viagens e um talento de gastronomia que recém ganhou um Masterchef.  Parecia uma combinação infalível para criar a empresa perfeita! O que poderia dar errado, não é? Pois é.
Tenho amigos com hamburguerias e todos dizem que já é um mercado bem saturado e com margens cada vez mais apertadas. A gourmetização dos últimos anos tampouco ajudou, trazendo descontrole de preços. E todo dia surge mais uma, e nem sempre com pessoas que tem de fato carinho pela profissão – estão de olho apenas no dinheiro – com consequências previsíveis.
Entendo que o negócio da Bel e parceiros pode ter sido planejado em cima da hora, para aproveitar um momento especial de mídia e da fama dos sócios. Mas – de novo – uma hamburgueria? Já não há suficientes? Quantas formas disruptivas existem de se fazer um pão com carne?
Parece um déjà vu, pois já vimos este fenômeno acontecendo outras vezes, com ciclos de modismos como o frozen yogurt, cupcakes, casa de bolos, brigadeirias e paleterias mexicanas. Será que as hamburguerias são a bola da vez?
Repetindo o que já escrevi no passado, falando de modas nos negócios: se é para fazer um novo negócio, vamos tentar que seja realmente novo. Não precisa ser 100% original, até porque isso não existe, claro. Mas tentar ser diferente, único e que represente sua essência cultural e identidade é uma verdadeira missão. Por isso eu esperava mais dessas pessoas, e por isso fiquei bem frustrado.
E por isso, tantas empresas parecidas vão para o zebeleo, digo, o beleléu.
Ivan Primo Bornes – o fundador e masseiro do Pastificio Primo escreve toda semana no Blog do Empreendedor. Quer fazer uma pergunta? Receber uma dica? Escreva para  ivan.primo@pastificioprimo.com.br

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