Respeitar a vida familiar do funcionário é respeitar a saúde do seu negócio

Respeitar a vida familiar do funcionário é respeitar a saúde do seu negócio

Quando o trabalhador percebe o comprometimento da empresa com ele, a relação de trabalho e as entregas de produção tendem a melhorar, aponta consultor do Sebrae-SP

Redação

15 de setembro de 2020 | 11h36

Por Marcio Donizetti Barbosa, consultor do Sebrae-SP

A pandemia do novo coronavírus trouxe impactos significativos para todos nós. As empresas tiveram que agir rápido e a maioria não teve tempo para planejar. De um dia para outro tiveram que mandar seus funcionários para o home office. E como manter a produtividade, os clientes, a reputação da empresa sem afetar a vida do colaborador e da sua família?

A saúde do colaborador e da sua família vêm em primeiro lugar. É uma questão de humanidade. Quando o trabalhador percebe o comprometimento da empresa com ele, a relação de trabalho e as entregas de produção tendem a melhorar. Diversos estudos apontam que a produtividade e a lucratividade apresentam melhores resultados em empresas onde os cuidados com a qualidade de vida, do trabalho e com a saúde do colaborador são atendidos.

Começa com a questão da empatia do empresário. Ele precisa ser o norteador das questões estratégicas da empresa e ouvir quem trabalha na ponta. Com isso, as relações de confiança aumentam e todo o vínculo emocional melhora.

As organizações precisam aprender a ser humanizadas. Quando as pessoas são valorizadas e o propósito empresarial é compartilhado por todos os envolvidos, os resultados podem refletir em ganhos financeiros, fidelização dos clientes, menos perdas na produção e um colaborador como defensor da marca.

Estes tempos turbulentos nos trouxeram muita reflexão. As pessoas estão refletindo sobre propósito, querem chegar no fim da vida e terem participado de algo relevante, que transforme a sociedade, que possam ter orgulho de ter participado.

Empreendedores precisam ter disseminada entre funcionários a razão de existir da empresa. Foto: Nappy

Paixão e propósito. Evidente que dinheiro é importante, porém, dentro das habilidades necessárias no exercício das profissões, as faixas salariais são equivalentes no mercado de trabalho. O que vai fazer diferença na vida do colaborador é a relação autêntica entre a pessoa e a cultura da empresa.

Empresários precisam ter disseminada em toda a organização sua razão de existir. Mesmo um simples parafuso pode fazer a diferença na vida do cliente final. Todos queremos andar em carros, trens, aviões e elevadores seguros, todos eles usam parafusos. É apenas um paralelo, mas reflete como o conceito empresarial pode fazer a diferença.

A empresa não vende parafuso, vende segurança, qualidade, confiança. Como fazer com que todos os trabalhadores entendam isso, desde a recepção até o vendedor? Cultura empresarial é a resposta. É atribuído a um célebre gestor a frase: “A cultura come estratégia no café da manhã” (Peter Drucker).

Sensibilizar as pessoas, trazer a cultura empresarial em tempos de covid-19 é mostrar para todos – clientes, investidores, empregados, parceiros, comunidades e sociedade – todo o esforço que a empresa está realizando para atender seus clientes da melhor maneira possível, respeitando a saúde e bem estar do colaborador, incluindo sua família.

As pessoas admiram empresas responsáveis e rejeitam empresas que se posicionaram de maneira radical, até mesmo negando a situação.

Colaborador espera atenção do empreendedor

Cuidar da saúde física e emocional, oferecer apoio material, mostrar o esforço em manter empregos e salários é muito valorizado por todos. O empresário precisa envolver todos nas tomadas de decisões, compartilhar os resultados, adotar uma liderança colaborativa. Normalmente, aqueles que tomam as decisões são muito solitários, sozinhos num mundo extremamente complexo em que requer tomadas de decisões rápidas e certeiras. Compartilhar suas estratégias nos torna afetivamente mais próximos, aquela postura antiga de chefe que dá ordens não cabe mais.

As pessoas buscam realização nas empresas. Descobrir o que as motiva verdadeiramente, seus anseios e desejos é um fator determinando para sair na frente da concorrência. Trabalho tem que ser encarado como um lugar de desenvolvimento pessoal, técnico, emocional, jamais como um local pesado, de tortura, como se fosse para a guerra.

Para empresas que retomaram as atividades, o colaborador espera a mesma atenção que o empresário tem com o seu cliente. Na verdade, ele é o primeiro cliente de toda a empresa: se quem trabalha na empresa não compra seu conceito, seu produto, quem mais compraria?

Atenção com os protocolos de higienização, locais de alimentação e descanso, fornecimento de EPI’s (equipamento de proteção individual) e transparência com relação a situação do seu emprego. Afinal, ele também tem seus compromissos financeiros, seus anseios e aspirações.

Para aqueles que trabalham a distância em decorrência da natureza do trabalho, o colaborador também espera transparência do gestor com relação as metas e entregas do trabalho. Vários estudos indicam que as pessoas estão com cargas horárias maiores depois da pandemia.

Se possível, fique atento com relação a estrutura física do trabalho em casa, seja com relação aos móveis como mesas e cadeiras, até mesmo com relação aos equipamentos de informática e conexão com a internet. Muitos colaboradores foram trabalhar em casa sem o ambiente ideal, mesmo com relação ao espaço físico, dentro das possibilidades das empresas, tudo o que for possível, agrega para o trabalho.

Entender o momento e saber onde você está pode ser crucial para saber onde vai. Ao contrário do que muitos pensam, a bússola não é o instrumento mais adequado para alguém que veleja e sim o sextante, com ele é possível saber onde você está e a partir daí traçar estratégias para chegar onde você deseja.

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