Reservamos o direito de recusar o serviço para qualquer um

Daniel Fernandes

05 de abril de 2013 | 06h32

Placa em restaurante em San Diego, Califórnia

Nesta semana meus colegas empreendedores blogueiros levantam questões que geram discussões, como a Adriana Silveira. da Nannydog, que pergunta: Nós podemos escolher quem vamos atender? Legalmente é uma prática abusiva perante o Código de Defesa do Consumidor que no seu artigo 39 proíbe a recusa da venda de bens ou a prestação de serviços diretamente a quem se disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento.
Por isso fiquei tão chocado quando, em visita ao Museu do Apartheid na Cidade do Cabo (África do Sul), vi uma placa que proibia a entrada de pessoas negras. Mais a frente, outra placa que proibia a entrada de pessoas “coloridas”. Naquela época, eu com meu “hardware japonês” não poderia entrar no local onde estava colocada aquela placa já que sou amarelo.
Fiquei mais chocado ainda ao ver uma placa em restaurante em San Diego, Califórnia, que reserva o direito de recusar o serviço para qualquer um! E o “recusar o serviço” ainda estava em grande destaque. Isto foi a uns dois meses atrás. Em 2013! Acho eu no Brasil, este restaurante já estaria fechado. Isto porque escancarou a discriminação.
Mas na prática, as empresas arranjam um “jeitinho” para não atender clientes indesejados. Quem já não sentiu, viveu uma experiência dessas? Outro post que também representa bem o dia a dia do empreendedor é o problema do pistache enfrentado pela Juliana Motter da Maria Brigadeiro. O fornecedor furou e não vai entregar o produto prometido? Azar? Bom… deve ter algum santo que protege os empreendedores e, nestes momentos de “rua sem saída” aparece uma janela iluminada. Alguns chamam isto de sorte! No caso da Juliana, ela criou um novo tipo de brigadeiro de pistache torrado e foi um sucesso!
Converse com empreendedores e eles contarão várias situações em que a sorte apareceu. Alexandre Tadeu da Costa, logo na primeira empreitada, vendeu 2 mil ovos de Páscoa de 50g. Quando foi passar o pedido para o fornecedor, este disse que não fabricava ovos deste tamanho. Consultou outros fornecedores e nenhum topou pegar o pedido. Azar? Sorte a dele que teve que comprar chocolates, formas e com a ajuda de uma mulher que conheceu na loja (sorte?) fabricou os tais 2 mil ovinhos. E assim nascia a Cacau Show.
Rolim Amaro tinha só dois aviões, ambos financiados e fazia trajetos pela Amazônia. Isto quando um dos aviões quebrou o trem de pouso. Rolim não tinha dinheiro para consertar o avião e sem ele não teria como pagar os financiamentos. Azar? Naquela mesma semana ganhou uma rifa de um carro. Sem aquele Opala que ganhou, é provável que a TAM não existisse hoje.
Peter tinha terminado seu MBA em Harvard e acabado de voltar dos Estados Unidos quando o sítio do seu pai, perto da cidade de São Paulo, foi assaltado. Azar? Ele ficou responsável de colocar um sistema de segurança no local. O sobrenome do Peter? Graber! Ontem conheci pessoalmente o Marcel Malczewski. A trajetória dele é fantástica e deveria ser mais repetida no Brasil. Do seu trabalho de mestrado e do seu colega de faculdade Wolney Betiol (Daí Betiol + Malczewski + Technology) criaram a Bematech, a maior empresa de solução comercial do Brasil.
Investimos tanto nos mestres e doutores que deveríamos ter mais empreendedores com esta formação no País. Mas polêmicas a parte, Marcel tem um comentário que resume a sorte do empreendedor: “Sorte é fundamental. Na realidade você chama um monte de coisas de sorte. É uma conjunção de aspectos, de coincidências, que nem sempre são coincidências, é você estar no lugar certo na hora certa. Você ajuda a sorte a acontecer. Trabalhar pra caramba, estar aceso, ligado, conectado com o mundo para daí encontrar as oportunidades e saber desenvolvê-las”.
E vamos comer brigadeiro de pistache! Final de semana chegando e merecemos uma sorte assim!

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