Quer inovar? Comece abraçando o seu chefe!

Daniel Fernandes

22 de julho de 2013 | 07h32

Pedro dá dicas para fomentar a inovação

Bernardo Lustosa finalizou o post da semana passada dizendo: “A necessidade de inovar nasce da necessidade de resolvermos algum problema e precisamos querer resolvê-lo. Formas extrínsecas de estímulo à inovação já foram testadas e falharam. Crie um ambiente propício e a inovação virá de forma intrínseca, como quase tudo que permeia o ser humano: de dentro para fora.”
Buscando o de dentro para fora conseguimos exercitar o SER dentro do contexto profissional. Em roda de conversa com um executivo de mercado ele me comentou que queria sair para empreender novamente visto que a busca constantemente pelo numero, pelo EBITDA estava deixando-o cansado.
Ele queria novamente começar de novo com as pessoas para construir algo que tivesse sentido para ele novamente, celebrando as pequenas conquistas dos primeiros clientes e do frio da barriga para investir em algo bem maior depois de fechar pequenos contratos.
O empreender é uma vida de grande inovação de si mesmo baseada no controle da intensa emoção que aflora em cada decisão, derrota e conquista.  A emoção da incerteza, a emoção de sentir valores mais perenes da confiança, da integridade, a emoção de vivenciar com as pessoas o mesmo tesão de fazer acontecer algo impossível.
Enfim, a emoção de viver intensamente o sentido da vida da realização com e através das pessoas, na troca e na comunhão do realizar pequenas e grandes conquistas.  Empreender é exercitar o SER no contexto corporativo. No exercício do profissional temos a imutável regra do ganho financeiro para o sustento próprio e no empreender o risco, a beleza do aprendizado pessoal, do auto conhecimento quebrando algumas cicatrizes que desenvolvemos durante toda a vida.  É voltar a ser criança com a criatividade inata e a alegria de aprender sempre.
Afinal somos seres vivos e somos condicionados. Sair deste condicionamento é inovar e empreender é descobrir outras possibilidades desta própria inovação. Este inovar de si mesmo traz aquela importante sensibilidade do contexto que o Bernardo comentou no último post, “conversar com o cliente, é preciso entender o trabalho que seu produto está realizando para ele, qual problema ele está resolvendo. Este processo se dá pela conversa, pela visita, pela simples observação do seu cotidiano, pela empatia.”
Empatia é sentir o que o outro sente, é buscar uma  crítica mais humana do contexto e criar inúmeras possibilidades para a inovação, ou pelo menos um grande prazer de sentir a vida.  A felicidade, assim, é contínua no aprender de si. Podemos não ter o ganho financeiro, mas com certeza tivemos o ganho pessoal de viver a emoção. É como sentir a emoção em um grande estádio de futebol sendo este a própria empresa.
Como estimular este empreendedorismo na empresa? Dando autonomia para as pessoas correrem mais risco! Faz dois meses que participamos de uma RFP (Request For Proposal) de uma grande empresa e tínhamos um curto espaço de tempo para responder. O pessoal da área de inteligência analítica decidiu que no feriado eles iriam fazer um score de fraude e crédito para fazer algo inovador para a RFP. Eles correram e conseguiram fazer.  Com este empreendedorismo conseguimos vencer a RFP e ganhar de grandes empresas que não se mobilizaram com algo novo. Foi muito emocionante  vencer aquele desafio visto que era também algo fora do nosso core business.
Outra conversa também nesta semana me levou a pensar em inovação. Em algumas  corporações temos a busca pelo poder muito forte entre diretores. Esta busca sempre é de fora para dentro e aí a grande dificuldade de inovar. O poder intimida, não gera um feedback honesto, é repressor, é a disciplina do pai que emburrece a criatividade da criança, não tem diálogo, é autoritário, não acolhe, não deixa a vontade fluir, enfim nada propício para a inovação.
Por isso, estas corporações buscam a inovação em outras empresas, por isso também a grande busca das pessoas para trabalhar em uma Startup. Outro dia uma profissional graduada em Stanford declinou uma vaga nossa, pois ela queria sentir a emoção, os riscos de uma Startup. Ela queria um sentido maior para a sua vida. Olha que a gente, a ClearSale, está em segmento de contínua emoção, inovação, pois eles, os fraudadores não param nunca! Uma ideia para inovar em ambientes como este é ser ousado e fazer algo bem diferente para estas pessoas autoritárias, que geralmente são mais frias e sisudas.
Chegue um dia no trabalho e dê um  abraço bem forte no seu chefe e lhe diga: Hoje eu estou INOVANDO! Veja o que acontece. Se você perder o emprego pela ousadia, tudo bem.  Este ato pode te render um emprego mais inovador e com certeza uma grande história para contar na próxima entrevista. Se você continuar com o emprego pelo menos você pode sentir um pouco a emoção que se tem quando empreendemos algo diferente e estamos abertos para exercitar o SER dentro do contexto corporativo.
Enfim, a inovação flui mais facilmente onde  o empreendedorismo é estimulado e busca realmente valorizar e aprender com as pessoas em um contexto de líderes que inspiram, que acolhem e não chefes que querem o poder, o resultado a qualquer custo.  Não é preciso muito para empreender, basta falar, trocar com as pessoas ideias honestas que realmente façam uma grande diferença nas próprias pessoas. Vamos inovar!! Comece com um grande e carinhoso abraço no seu “chefe”.  Isto é emoção pura!

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