Quer empreender com franquia e não sabe como? Saiba por onde começar

Quer empreender com franquia e não sabe como? Saiba por onde começar

A especialista em franchising Ana Vecchi começa hoje uma série especial com dicas para quem quer empreender com franquias - mas tem diversas dúvidas sobre o mercado

Ana Vecchi

29 de agosto de 2019 | 11h03

Você já deve ter ouvido algum médico ou advogado dizer que, quando vai a festas, sempre aparece alguém querendo um diagnóstico, uma solução ou dica para emagrecer, curar um “probleminha bobo””ou como negociar um contrato. O mesmo acontece comigo com relação à máxima: “Qual a melhor franquia, com menor investimento e que eu ganhe muito dinheiro, tipo assim, fique rico e… trabalhe pouco?”

Pense! Se eu tivesse este conhecimento ou se esta possibilidade existisse, ao longo de 30 anos trabalhando neste mercado, criando negócios ou os estruturando para virarem franquias e franqueadoras, eu já teria centenas delas para mim! É engraçado imaginar que alguém possa acreditar que empreender seja assim tão simples e fácil, mas por outro lado é muito perigoso, pode acabar com toda a poupança de uma vida.

Se você quer empreender com franquias e tem dúvidas a respeito, vamos criar uma série a partir deste artigo e, semanalmente, vou trazendo informações para você poder analisar e fazer a melhor escolha. Se acha que sabe muito, é preciso ter certeza em que está investindo, antes de fazer qualquer cheque. Não se permita achar, tenha certeza e, para isso, estamos juntos. Vamos do macro até o micro aspecto para você ter conhecimento suficiente para se decidir e me contar!

Começando do conceito de franchising, que, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), é o sistema em que o franqueador autoriza um terceiro, o franqueado, a explorar os direitos de uso da marca, direitos de distribuição em um mercado definido, utilizar sistema de operação e gestão de um negócio de sucesso. É a estratégia para distribuição de produtos, serviços e para expansão territorial. União de interesses em que parceiros trabalham sob único sistema, buscam sucesso e lucro mútuo.

Ter um negócio significa cuidar de tudo: contas a pagar, vendas, maquininhas etc. Foto: Gabriela Biló/Estadão

Isso quer dizer que, ao comprar uma franquia, você compra um sistema de gestão de um negócio de sucesso comprovado (você tem que pesquisar entre “o que dizem” e o que é fato fundamentado), do qual você vai poder fazer uso da marca conforme o franqueador determinar (porque a marca, registrada no INPI, pertence a ele ou à empresa franqueadora), comercializar produtos e/ou serviços pré-definidos, dentro de uma área ou território: cidade, bairro ou rua (um quadrilátero de ruas definido em volta do PDV), um Estado ou região do Brasil, shopping, galeria, em casa e da forma que o franqueador também autorizar (venda no PDV, na loja/quiosque e/ou delivery, e-commerce, ou outro modelo de negócio).

Você compra o know-how desse franqueador em todos estes aspectos iniciais, pois a partir da experiência dele é que ele poderá ensinar, orientar e determinar o que é bom você fazer e o que não dá certo, se feito da forma errada. Não há a menor chance de você aceitar um franqueador que lhe diga que ele é flexível e que vocês irão aprender juntos, que a vida é feita de erros e acertos, que estão juntos para enfrentar o mercado e construir esta história (que é a história dele) de aprendizado.

Há de se entender que um franqueador não determina regras simplesmente porque ele gosta de mandar ou é autoritário, mas porque ele já testou (quase) tudo o que é preciso para que o negócio atenda o consumidor a quem se destina. Então, resumindo, cabe ao franqueador desenvolver o negócio: produtos, serviços e sistema de gestão, estabelecer procedimentos padronizados e normas de condução e gestão da franquia, selecionar e capacitar os franqueados ao comprarem as franquias e ao longo da vigência de contrato, autorizar o uso da marca e do sistema, apoiar e orientar toda a rede, constantemente.

É por tudo isso que a ideia de comprar uma franquia atraia você e grande parte dos empreendedores. Sendo franquia, cabe ao franqueado acatar as regras pré-definidas – até que tenha domínio da operação e possa questioná-las ou propor algo melhor para sua região, fazer uso do conhecimento da equipe da franqueadora para aprender e melhorar continuamente, explorando da melhor forma um determinado mercado, até que possa contribuir para o aperfeiçoamento do sistema como um todo. Cada franqueado que colabora e pensa em economia compartilhada também é beneficiado por outros franqueados.

Mais um aspecto importante, ao analisar a possibilidade de se tornar um franqueado, é ter claras as expectativas sobre o negócio próprio, o que isso significará em sua vida a partir do momento em que assinar um contrato empresarial de franquia, qual o nível de dedicação pretendido, quanto está disposto a aprender e assumir que todo negócio tem riscos. Reflita sobre isso.

Mesmo que você tenha trabalhado muito até então, ao ter um negócio verá que nunca terá trabalhado tanto, será responsável por contas a pagar, receber, folha de pagamento, maquininha de cartão, compras, vendas e tudo mais que talvez você ainda não faça ideia. Por isso, um excelente franqueador faz toda a diferença.

No próximo artigo, vamos falar sobre os tipos de franquias, o que elas requerem (investimento, dedicação, equipe) e ofertam como benefícios. Até a próxima semana!

Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e na expansão de negócios em rede.

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