Quem se importa? (Não quero criar o próximo WhatsApp ou Facebook)

Daniel Fernandes

15 de janeiro de 2015 | 06h13

Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira no Blog do Empreendedor
Essa semana eu vi um documentário super legal, chamado ‘Quem se importa? (Who Cares?)’. Meu contato com esse filme foi anos atrás. Um dos nossos clientes é apoiador do projeto e lembro que fizemos a distribuição do filme para parceiros deles. Na época, o título chamou minha atenção, mas acabei não indo atrás para saber do que se tratava.
O tema são negócios sociais, empreendedorismo social. Recomendo fortemente assistirem, canso de escrever aqui a necessidade de começarmos a ver os negócios com um olhar diferente, com uma abordagem diferente da que vem sendo feita nos últimos 50 anos. Lembro que na faculdade de administração, anos atrás, a maioria dos livros eram antigos. Os ‘novos pensamentos’ eram apenas variações dos antigos. Nada inovador. O que muda são os meios (internet), as mídias, as formas, mas a essência sempre foi a mesma, o lucro, o ficar rico. E isso tem que mudar.
Fiquei particularmente perplexo e inspirado com a história do Banco Palmas, de um dos seus criadores e do que levou a criação do banco. Sem spoilers, mas tudo começou com o nascimento de um bairro popular, ou seja, as pessoas mesmo que investiram e criaram uma comunidade própria, não o governo, não a iniciativa privada!
Negócios sociais para mim, são empresas que trabalham no caminho do meio entre iniciativa privada e terceiro setor. Não são 100% sem fins lucrativos, mas também não são 100% focadas no lucro a qualquer custo. Suas atividades visam solucionar problemas sociais que a iniciativa pública não consegue, que a privada não tem interesse e que o terceiro setor é limitado.
A definição da Yunus Negócios Sociais Brasil  é a seguinte “Negócios Sociais são empresas que têm a única missão de solucionar um problema social, são autossustentáveis financeiramente e não distribuem dividendos.”  Eles também têm uma imagem que ajuda a ilustrar o conceito:

O indiando Muhammad Yunus e seu projeto são referências em negócios sociais. O documentário também conta um pouco da sua história, não vou antecipar nada.
Como empreendedor esse é o caminho que quero seguir, o do novo, o do social, o das pessoas para pessoas. Não quero criar o proximo WhatsApp (se esse artigo fosse escrito dois anos atrás eu escreveria Facebook), esse é o meu desejo.
Empreender é uma jornada, como a vida, o importante é como chegamos e não onde. O “onde” entregamos para a própria jornada.
Um abraço,
Rafael
 

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