Quando a veia italiana guia negócios na gastronomia: um caso na zona leste de SP

Quando a veia italiana guia negócios na gastronomia: um caso na zona leste de SP

O empreendedor Mario Jr. conta como uniu sua ascendência italiana aos negócios

Estadão

18 de março de 2019 | 10h09

Por Ivan Bornes *

Mario Jr. fundou há um ano e meio o Rosso Burger, hamburgueria no Tatuapé que virou sucesso atendendo 2.500 pessoas por mês. Agora resolveu dobrar a aposta no bairro, abrindo uma proposta ainda mais italiana, a Osteria del Rosso – parte bar, parte pizzaria e parte restaurante. Para comandar as panelas, trouxe o italiano Daniel Buzzi, que conheceu uma brasileira em Londres e resolveu se mudar de vez para cá.

Apaixonado pela Itália desde pequeno, Mario Jr. sempre foi muito família. Adorava os encontros, principalmente aos domingos, com toda a família reunida, momentos em que conversava com seu avô e afirmava com convicção: “Eu ainda vou ser um italiano!” Como bom turrão que era, seu avô o rebatia, dizendo que “não, nunca”. Isto lhe serviu de energia para dar início ao primeiro processo de cidadania, que acabou deixando de lado (perdendo os prazos) a partir do momento em que sua carreira decolava.

Com uma filha pequena, o antigo sonho voltou à tona, solicitou novamente a documentação na Itália e agora ambos são cidadãos italianos. A paixão é tão grande que em seu restaurante, logo na entrada, é possível ver um trilho de trem embutido no chão que simboliza uma homenagem a todos os italianos que migraram para o Brasil.

“Sou um cara que me divorciei, tenho uma filha de quase 4 anos, mas tento a maior parte do tempo estar com ela. Hoje ela é um dos pilares motivacionais de acordar e tentar ser melhor a cada dia. Sou um cara muito família, adoro reunir todos aos finais de semana como bom italiano que sou.”

Restaurante Osteria del Rosso, no Tatuapé. FOTO: Mario Jr.

Como surgiu essa vontade empreendedora?

Acredito que esse estímulo veio de meu pai, que quando eu tinha 10 anos me colocou para trabalhar. Daí em diante não parei mais, sempre gostei de ter minhas coisas e dividir meus “ovos” em diversas cestas. Sempre busco algo que não existe ou algo que eu possa melhorar.

Uma vez eu tive uma ideia para montar uma startup, me engajei no projeto com alguns parceiros por oito meses, porém ao estudar mais decidi encerrá-lo sem ao mesmo iniciar. Os parceiros queriam que eu tivesse avançado, mas achei por bem desistir.

Para o empreendedor, os dias e noites são bem diferentes do normal das pessoas. Ainda mais trabalhando com alimentação. Como funciona isso com você?

Confesso que isso, no decorrer da minha jornada, mudou completamente meus hábitos, me deixando às vezes até um pouco afastado desses relacionamentos. Essa relação empreendedorismo versus gastronomia transformou uma paixão em uma profissão, mexendo assim com uma vida de quase 40 anos, acredito que ela se normalize dentro de um período curto se tornando assim a minha nova realidade.

Quais são os planos de futuro do negócio?

Os planos são expansão e derivação em outros novos negócios, mas sempre nesse segmento. Já diversifiquei algumas vezes, mas a sobrecarga é muito grande. Hoje penso em ampliação, mas dentro do meu nicho.

Se pudesse dar uma dica aos empreendedores que estão chegando agora no teu setor, qual seria?

Estude muito seu negócio e literalmente meta a mão na massa. Menos conversa e mais trabalho!

Qual o futuro do Brasil?

Sempre penso e acredito que seja promissor, porém sou da opinião que a cabeça da pirâmide sendo mudada não altera o aspecto. É necessário mudar as bases que, assim, ao longo prazo conseguimos fazer um mundo melhor. Isso impacta em um simples papel jogado na rua ou simplesmente furar a fila do supermercado.

* Ivan Bornes é empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastifício Primo