Quando um pai ensina o filho a enfrentar qualquer medo

Daniel Fernandes

12 de agosto de 2015 | 10h41

Foi bacana acompanhar nas mídias sociais os posts no Facebook do último domingo com as homenagens ao dia dos pais. E por isso achei pertinente falar sobre isso.
Perdi o contato diário com o meu pai por volta dos quinze anos. Era depois do plano Collor e as coisas em casa não iam nada bem. Foi quando meu velho decidiu mudar para os Estados Unidos. Por lá, casou-se novamente e teve um filho. Falamos algumas vezes por telefone durante alguns anos e, em 2006, ele faleceu de câncer.
Nessa época, eu estava começando a virar adulto de verdade. Havia casado, minha empresa já passava dos cinco anos e tudo estava nos trilhos, mas o sentimento de estar só navegando em um mar desconhecido era algo que ecoava dentro de mim todas as noites.
Decisões e conflitos não podiam ser compartilhados com ele. Quando criança, meu pai era uma figura super presente e que nos ensinava tudo que podia. Sempre nos contava pra que servia aquilo, como funcionava isso e porque daquilo. Gostava de descobrir coisas novas e viajar. E nos desafiava a tentar fazer. Poderia ser uma pipa, um carrinho de rolemã, montar um aquário e cuidar dos peixes ou mesmo pedir um hambúrguer sozinho em um país que não sabíamos direito a língua.
Recentemente assisti o documentário sobre a menina neozelandesa Laura Dekker. Ela deu a volta ao mundo em um veleiro aos dezesseis anos. E seu pai foi figura decisiva nessa conquista. Juntos, eles compraram uma sucata em forma de barco e reformaram de cabo-a-rabo. Seu conhecimento e ensinamentos sobre saber como lidar com as variáveis que o mundo pode colocar em um veleiro foram fundamentais.
E eu, como pobre mortal que não entende nada de navegação, naturalmente imaginava quando comecei assistir: ‘Tubarões, tempestades, piratas…’ Mas no fim, quando você entende como as coisas funcionam, fica fácil improvisar e achar uma saída. Empreender é assim também. Precisa ter coragem e sobretudo estar preparado. Foi assim que aconteceu com a Laura. Mas depois que você descobre os caminhos fica fácil planejar a próxima viagem.
Coincidentemente hoje é aniversário do meu filho. E desde cedo o ensino, entre tantas coisas, a saber enfrentar seus medos e ir além. Não sei se ele vai dar volta ao mundo em um veleiro aos dezesseis anos, mas com certeza estarei ao seu lado para lhe ensinar e ajudar a enfrentar qualquer oceano. Parabéns filho.
Leo Spigariol escreve toda quarta-feira no Blog do Empreendedor
 

Tudo o que sabemos sobre:

Blog do EmpreendedorEstadão PME

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: