Qual o propósito de cada setor da economia na teoria e na prática

Qual o propósito de cada setor da economia na teoria e na prática

Para quem quer empreender, ser um microfranqueado ou MEI, o trabalho voluntário pode ser oportunidade para começar a reconhecer quanto se tem de perfil empreendedor, de liderar ou ser liderado

Ana Vecchi

31 de julho de 2020 | 10h32

A reflexão de hoje vai para a forma como encaramos profissão e negócios, que setor da economia parece fazer mais sentido em nossas vidas, o que aprendemos nas escolas da vida e naquelas que levam um nome na entrada e, diante de tantas possibilidades de análises, o que pode nos trazer satisfação plena, orgulho de pertencer, construir e representar. Sem certo ou errado, são apenas considerações a serem levadas em conta quando pensamos no sentido de empreender.

28 de agosto é o dia nacional do voluntariado, me veio à mente qual é a definição dessa palavra e, acima de tudo, atitude. Por que alguém se voluntaria e em prol de quem? Daquele que vai receber seu apoio, ajuda e um olhar sincero ou de si mesmo e sua consciência? Talvez em benefício do cônjuge que não aguenta mais o outro dentro de casa sem ter o que fazer e reclamando da vida.

Há os que precisam se sentir úteis, de alguma forma, e cai bem se dizerem voluntários em alguma organização. Mas, na hora em que há algo mais importante (gostoso, na verdade) a fazer, falta no compromisso voluntário, afinal não tem falta, desconto, não é remunerado, não faltam desculpas para justificar o “não pude ir.”

Porém, há os voluntários empreendedores, que investem tempo e estudo ao que vão se dedicar, compartilham conhecimento, entregam amor incondicional, têm a humildade de assumir o quanto aprendem com seus assistidos e se sentem plenamente realizados com o benfazer. E mais uma vez me veio outra consideração à mente: voluntário atende pessoas que precisam de algo, de comida e remédios, a quem as faça sorrir, ouvir uma história, um carinho, conforto e atenção.

O empreendedor atende o empresário, o investidor, o chefe e/ou clientes que também são pessoas que precisam do que ele tem a oferecer dentro de suas habilidades, formação e experiência de vida. Em ambas as situações, trabalhamos com gente que é de aprendiz a sênior. Uns têm mais a dar, outros menos, porém ambos têm seus propósitos e/ou interesses, similares ou não, e podem fazer muita diferença na vida dos que estão à volta deles.

Para quem quer empreender, ser um microfranqueado ou MEI, o trabalho voluntário pode ser uma grande oportunidade para o desenvolvimento pessoal e profissional, exercitar habilidades e características, reconhecer quanto tem de perfil empreendedor, de liderar ou ser liderado, habilidade para coordenação de projetos, trabalhar em equipe, prever e/ou solucionar problemas.

Trabalho voluntário pode despertar liderança para empreender; na foto, doação de cestas básicas em Paraisópolis, SP. Foto: Tiago Queiroz/Estadão-19/6/2020

Quando trago a questão do que significam os propósitos dos setores da economia, das empresas e organizações, incluindo os conceitos de negócios, tudo o que descrevi acima compreende uma junção de palavras e atitudes que, se não forem bem compreendidas, podemos escolher sem saber ao certo com o que nos identificamos mais e que não há saída. Escolhemos pela definição que alguém deu sobre o 1º, o 2º e o 3º setores. Definição não é significado nem sinônimo de propósito.

A forma de descrever como uma organização ou uma companhia foca suas atividades, ainda que com muitas palavras em comum, não significa a mesma coisa, demonstra a diferença de posicionamento e requer a compreensão de onde e como empreender. Exemplo: há organizações que nascem para discutir a dor de um mercado ou grupo de pessoas, aprender a lidar com ela e oferecer melhoria de vida aos que enfrentam esta dor. E há empresas que nascem com o propósito de solucionar tal dor, de forma inovadora, ágil e efetiva.

As do primeiro exemplo “aceitam” aquele problema como um padrão a ser tratado e a necessidade de buscar, e as do segundo se propõem a criar novos hábitos de consumo e de comportamento até a solução dos problemas e dores deste mercado e/ou consumidor. Ambas podem fazer forte uso de tecnologia e não é isso que as diferencia, mas a cultura, o mindset e o conceito de “negócio” compreendem o setor a que pertencem e o modus operandi.

O voluntário empreendedor, se já não tem as habilidades dos sonhos de qualquer franqueador em relação aos seus futuros franqueados, microfranqueados ou franqueados sociais, poderá desenvolver, através do voluntariado, a capacidade de enxergar um problema, analisar e elaborar a solução, com um time multitarefas, definir a captação de recursos, pivotar o projeto com constante processo de avaliação de KPI’s (indicadores de desempenho).

Este processo faz parte de qualquer sistema de qualquer dos 3 setores, basta estudar, conhecer mais e escolher em qual empreender, pensando sempre de que forma fazer a grande diferença. Não pense apenas, realize!

* Ana Vecchi é consultora de empresas, fundadora e CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBA, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 30 anos, no ciclo de vida das empresas, da criação à expansão de negócios e ocupação estratégica de mercado. É mentora de investidores e empreendedores, além de conselheira de empresas tradicionais e startups.

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