Qual a diferença e as semelhanças entre um protótipo e um MVP

Daniel Fernandes

31 de maio de 2016 | 08h09

Uma das coisas que mais me orgulho é ser mentor voluntário do programa InovAtiva,  projeto criado pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços  – MDIC. O programa busca oferecer capacitação, mentoria, networking  e conecta possíveis investidores, de forma gratuita, para estimular o crescimento de novos negócios inovadores no Brasil. Os mentores são empreendedores, cientistas, professores e técnicos de empresas como Bosch, Natura, Google, Nike, Whirpool, Dell, Mastecard, Embraer (entre outras). Conteúdos gratuitos de qualidade são disponibilizados, como essa cartilha sobre Modelagem e Validação da Proposta de Valor produzida por meu colega de Blog do Empreendedor, professor Marcelo Nakagawa.
Desde 2013 o InovAtiva já analisou 4.591 projetos, dos quais 187 concluíram o processo. Atualmente 300 startups passam pelo 1º Ciclo de Aceleração de 2016 e o edital para inscrição de projetos para o 2º ciclo desse ano está aberto a as inscrições podem ser feitas aqui.
Mas o tema que decidi abordar esta semana surgiu exatamente de um grupo de discussão que temos entre os mentores do programa Inovativa em São Paulo: MVP e protótipo são a mesma coisa?
Vamos primeiro aos conceitos.
Acredito que muitos podem não saber o que é MVP, sigla de Minimum Product Viable, ou, Mínimo Produto Viável. O termo cunhado por Frank Robinson e popularizado por Steve Blank e Eric Ries refere-se a um produto em desenvolvimento, quando se define quais são as funcionalidades mínimas capazes de permitir um teste de aceitação com seu público alvo. O objetivo do MVP é acelerar o aprendizado, fazendo com que você aprenda com o cliente, identifique que ajustes são prioritários, economizando horas de desenvolvimento para finalizar um produto, que talvez não atenda às expectativas de seu cliente.
Nas palavras de Eric Ries:  é a versão de um novo produto que seja capaz de permitir que a equipe capture, com o menor esforço, a maior quantidade de aprendizado validado sobre os clientes.
Já prototipar é dar vida às ideias. É a representação concreta de algo que estava na imaginação. A palavra vem do grego, protótupus, a primeira forma. Há protótipos de diferentes tipos: na arquitetura, nas artes, na engenharia, na culinária, na moda, nas campanhas de marketing. No processo de construção de negócios, produtos e serviços, os protótipos podem ser utilizados em diferentes níveis de fidelidade, como fica claro nesse quadro que está contido no livro Design Thinking Inovação em Negócios, da MJV:

Ou seja, ao longo do processo que vai de ter uma ideia até conseguir desenvolver um produto com maturidade necessária para que ganhe o mercado é preciso a construção de vários protótipos, com diferentes níveis de fidelidade, até que se tenha as condições mínimas de efetuar os testes com o público alvo. Nessa situação, esse protótipo, versão do produto em desenvolvimento, pode ser considerado o MVP.
Como você pode conferir na foto abaixo, esse foi um protótipo de um novo espaço de atendimento criado num workshop de um cliente. Veja que o grau de representação é ainda baixo, mas foi suficiente para que o grupo tangibilizasse a ideia. Foi um processo de cocriação para que os integrantes da equipe conseguissem criar e concordar entre eles como seria esse novo ambiente, fazendo com que o projeto não ficasse mais incompleto na cabeça de várias pessoas, mas sim unificado num modelo único e tangível. Por mais que o grau de requinte da montagem seja limitado, esse protótipo de baixa fidelidade foi de extrema valia durante o processo de concepção do projeto. Mas ainda não era um MVP, ou seja, não é uma versão que reúne as condições de ser testada pelo cliente final.

Podemos então concluir que esses dois conceitos são fundamentais e válidos no processo de criação de um negócio inovador (ou de uma inovação em um negócio já existente). Mas não podemos considerá-los sinônimos. Podemos sim afirmar que todo MVP é um protótipo. Mas que nem todo protótipo está maduro o suficiente para ser um MVP.
PS – Ao terminar esse post, fiquei refletindo e espero que esse governo provisório não queira mexer nem no projeto, nem no time InovAtiva. Afinal, “não se mexe em time que está ganhando” e essa é um dos projetos que vem só recebendo elogios de aceleradoras, de investidores e, principalmente, das startups, pois vem apresentando resultados indiscutíveis.
Marcelo Pimenta (menta90) é jornalista, professor da Pós-Graduação da ESPM, fundador do Laboratorium e criador do site Mentalidades.
 
 

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